Educação Ciência

Pesquisadores monitoram populações e espécies de abelhas na Mata dos Godoy e cafeeiros da região

Por O Perobal

21/02/2022 às 11:13:30 - Atualizado há

Mudança climáticas, uso de agrotóxicos e crescimento urbano acelerado estão entre os principais motivos que podem influenciar na redução das populações de abelhas, segundo a professora Silvia Helena Sofia. Foi a pesquisadora a primeira a realizar o estudo em 1998, quando chegou à UEL. Desde então, fez diversas pesquisas com abelhas e coletou centenas de espécies para coleção. Só na Mata dos Godoy, por exemplo, foram identificadas 11 espécies de abelhas de orquídeas.

No mundo, são 20 mil espécies de abelhas catalogadas. No Brasil, 2 mil são conhecidas, embora o número possa ser ainda maior. A preocupação com elas é devido a alta capacidade de polinização de plantas, o que possibilita gerar frutos de melhor qualidade e mais sementes. Isso pode influenciar diretamente na produção de alimento em todo o mundo, como afirma Silvia Helena, que recorda o lema utilizado atualmente: "sem abelha, sem alimento". Se nas plantações elas são responsáveis por 75% do processo de polinização, nas florestas e matas esse número chega a 90%.

Alunas da pós-graduação são responsáveis pela coleta e análise de dados, com foco em estudos sobre a diversidade genéticas das abelhas.


O estudo comparativo será conduzido pelas estudantes Giovanna Cesar, do 5º ano do curso de Ciências Biológicas, e Thais Kotelok, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Genética e Biologia Molecular. Giovanna fará coleta e análise de dados, enquanto Thais trabalhará a diversidade genética das abelhas. Ambas afirmam ter se surpreendido com a quantidade de espécies identificadas – muitas delas não conhecidas pela população, e reconhecem a contribuição desse novo estudo para a região Norte do Paraná.

Recentemente, a pesquisa foi contemplada no Edital do Programa Institucional de Pesquisa Básica Aplicada da Fundação Araucária, com mais de R$ 12 mil. Ela integra o projeto Pesquisas Ecológicas de Longa Duração na Mata Atlântica do Norte do Paraná (PELD – MANP), coordenado pelo professor José Marcelo Torezan, do Departamento de Biologia Geral, e financiado pela Fundação Araucária e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Espécie Eufriesea violacea

A espécie mais encontrada na Mata dos Godoy, área remanescente de Mata Atlântica na região de Londrina, é a Eufriesea violacea, considerada uma abelha de orquídeas por ser atraída pela fragrância da flor. Segundo Silvia Helena, é o macho quem faz essa ação como um comportamento de reprodução e corte para a fêmea.

Eufriesea violacea: espécie de abelha de orquídea encontrada na Mata dos Godoy.

As características se diferenciam muito das tradicionais abelhas europeias, de cor preta e amarela. No caso da espécie de interesse, os machos, de cor esverdeada, são os mais encontrados e fáceis de serem capturados. Já as fêmeas apresentam cor violeta. Essa espécie é encontrada no período de outubro a janeiro, épocas de temperaturas mais altas. Por este motivo, as novas coletas na Mata dos Godoy serão realizadas no final do ano e o resultado comparativo deve ser divulgado em 2023.

Apesar de não ser necessário o uso de abelhas para polinização das flores do cafezal, estudos mostram que a produção pode aumentar em até 20% quando elas visitam as plantações. É a partir disso que as pesquisas são conduzidas no Norte do Paraná para identificar as principais espécies de abelhas que habitam os pés de café, com o objetivo de comparar com outras regiões do país.

Abelhas e produção de café

Já o projeto "Abelhas polinizadoras do cafeeiro: avaliação bioeconômica das abelhas polinizadoras do café e avaliação bioeconômica", também conduzido pela professora Silvia Helena Sofia, faz avaliação das propriedades que fazem parte da Rota do Café, abrangendo de Londrina a Ribeirão do Pinhal, no Norte do Paraná. Em levantamentos prévios, a principal espécie encontrada é a abelha europeia (Apis mellifera), uma espécie exótica, introduzida no país no século 19.

A professora lembra que o Norte do estado já foi o principal produtor de café do país, entre os anos de 1930 e 1970. Atualmente, a região concede ao Paraná o posto de sexto maior produtor do Brasil. A pesquisa vem como forma de valorizar a região e ainda de conservar as espécies de abelhas que nos últimos anos estão sofrendo redução das populações devido a ação humana.

No país, o estudo é realizado há três anos pela Universidade Federal do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) e Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com financiamento do CNPq, da Associação Brasileira para Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). É com as plantações de café do Rio de Janeiro e de Minas Gerais que os estudos do Paraná serão comparados. Diferente daqui a pesquisa já aponta que nessas regiões são encontradas espécies nativas, como a mandaçaia, uma abelha sem ferrão.

Educação Ambiental

Outro objetivo do estudo, segundo Silvia Helena, também é contribuir com o produtor, visando ganho econômico e também educar sobre a importância das abelhas para a produção de alimentos. "Geralmente eles são abertos e têm interesse pelas abelhas", afirma.

De forma semelhante, outro trabalho realizado pela professora é a divulgação da importância das abelhas para crianças e adolescentes. A ação já ocorreu em escolas da cidade e também na Fazendinha, durante a Exposição Agropecuária de Londrina (ExpoLondrina). Nos locais, foi levada a coleção de abelhas de orquídeas e outras abelhas brasileiras, que apresentam diferentes cores e tamanhos.

Coleção tem mais de 10 mil indivíduos que foram coletados ao longo de 20 anos de pesquisas.

Coleção de Abelhas

A UEL tem uma coleção de abelhas de orquídeas com quase 10 mil indivíduos coletados. São os mais diferentes tipos, que lembram, por exemplo, mosquitos e besouros, devido a variação de cor e tamanho. As espécies foram coletadas nos mais de 20 anos de estudos, em espaços remanescentes da Mata Atlântica, Mata dos Godoy e do litoral paranaense.

A coleção está armazenada no Laboratório de Genética e Ecologia Animal (LAGEA) e no Museu de Zoologia, ambos no Centro de Ciências Biológicas (CCB). Os exemplares estão preservados em via seca, montados em alfinetes e devidamente etiquetados.

Fonte: O Perobal
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