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Aumento de casos neste início do ano pode levar a nova onda de covid, diz biomédica

Por Brasil de Fato

09/01/2022 às 14:39:32 - Atualizado h√°

Um levantamento da plataforma online Our World in Data, vinculada à Universidade de Oxford, mostra que a variante ômicron j√° é dominante no Brasil, sendo respons√°vel por 58,33% dos casos de covid-19 sequenciados no pa√≠s entre 13 e 27 de dezembro.

Mellanie Fontes-Dutra, biomédica, pesquisadora e divulgadora cient√≠fica pela Rede An√°lise, alerta que, neste cen√°rio, "se n√£o tomarmos cuidado e nos atentarmos para os isolamentos corretamente de casos e contatos, testagem mais ampla, além do uso adequado de m√°scaras e medidas de enfrentamento, poderemos ver um pico significativo de casos".


Mellanie Fontes-Dutra / Arquivo Pessoal

Em entrevista ao Brasil de Fato RS, Mellanie avalia a atual situa√ß√£o da pandemia, criticando o baixo √≠ndice de testagem realizado no pa√≠s. "Muitos casos podem passar sem a confirma√ß√£o pelo teste, e esses casos podem ser de ômicrom", aponta.

A biomédica formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul também defende a vacina√ß√£o infantil, destacando as evid√™ncias do benef√≠cio da imuniza√ß√£o do p√ļblico de 5 a 11 anos. "Temos dados mostrando que o Brasil é o 2¬ļ pa√≠s com mais óbitos de crian√ßas por covid-19. Sabemos que as crian√ßas recuperadas podem experienciar covid longa", assegura.

Para ela, é poss√≠vel evitar um grande impacto dessa poss√≠vel nova onda. "Precisamos seguir ampliando o m√°ximo que pudermos as coberturas vacinais (para 1¬™, 2¬™ e 3¬™ doses), além da ades√£o de toda a popula√ß√£o às medidas de enfrentamento. Combinando-as, reduzimos ainda mais os riscos", defende.

Abaixo, leia a entrevista completa:

Brasil de Fato RS - Com a variante ômicrom tendo chegado no Brasil semanas antes das festas de final de ano, momento de maiores aglomera√ß√Ķes, é de se esperar um novo pico de contamina√ß√Ķes?

Mellanie Fontes-Dutra - Estamos vendo uma subida de casos em algumas localidades, o que pode sinalizar contatos realizados durante esse per√≠odo do final do ano. Se n√£o tomarmos cuidado e nos atentarmos para os isolamentos corretamente de casos e contatos, testagem mais ampla, além do uso adequado de m√°scaras e medidas de enfrentamento, poderemos ver um pico significativo de casos. Também podemos ver algumas pessoas mais vulner√°veis (como n√£o vacinados, por exemplo) precisando de hospitaliza√ß√£o, trazendo um risco de sobrecarregar o sistema de sa√ļde, pois ainda temos muitas pessoas vulner√°veis e/ou n√£o vacinadas/sem o esquema completo.

Podemos ver algumas pessoas mais vulneráveis (como não vacinados, por exemplo) precisando de hospitalização

Uma nova onda no pa√≠s agora em um contexto de avan√ßo da vacina√ß√£o deve gerar a mesma situa√ß√£o que tivemos em 2021, com alto n√ļmero de mortes e superlota√ß√£o do sistema de sa√ļde?

Gra√ßas à vacina√ß√£o, é bastante poss√≠vel que reproduza o que estamos vendo em outros pa√≠ses, uma acelera√ß√£o de novos casos, mas a curva de óbitos n√£o tendo a mesma velocidade de crescimento. Mas é importante que a gente fa√ßa a nossa parte para que esse impacto seja o menor poss√≠vel, ampliando rapidamente a vacina√ß√£o para os p√ļblicos-alvo, além da conscientiza√ß√£o quanto às medidas de enfrentamento.

Temos not√≠cias de registros da variante ômicrom em diversos estados, mas em n√ļmeros ainda baixos no comparativo com o todo. O Brasil segue com baixo √≠ndice de testagem? Isso interfere na identifica√ß√£o quantitativa de circula√ß√£o desta nova variante no pa√≠s?

Infelizmente sim. E sim, interfere, pois muitos casos podem passar sem a confirma√ß√£o pelo teste, e esses casos podem ser de ômicrom, por exemplo.

Nos √ļltimos dias, temos visto recordes de n√ļmeros de casos de covid-19 em todo o mundo, resultado da variante ômicrom. O que o Brasil poderia aprender para lidar com esta variante tomando os exemplos de outros pa√≠ses que est√£o puxando esses recordes de contamina√ß√£o?

Que temos que confiar e aderir no que realmente funciona: vacinas somadas com medidas de enfrentamento. Ninguém quer retroceder no cen√°rio que estamos vivendo atualmente, mas se n√£o quisermos maiores restri√ß√Ķes, cada um tem um papel a cumprir nesse enfrentamento, que é um enfrentamento por parte da sociedade.

Precisamos de equidade nas coberturas vacinais dentro do Brasil

Outra quest√£o importante que serve como aprendizado é: precisamos de equidade nas coberturas vacinais dentro do Brasil (as da regi√£o mais norte s√£o mais baixas em rela√ß√£o a de outras regi√Ķes por exemplo), além de n√£o estagnar a velocidade de vacina√ß√£o, como infelizmente ocorreu em alguns pa√≠ses do Leste Europeu.

O novo debate da pandemia é vacinar ou n√£o vacinar crian√ßas. J√° existem estudos que ressaltam a import√Ęncia da vacina√ß√£o infantil? Qual sua avalia√ß√£o a este respeito?

Sim, j√° temos um conjunto de evid√™ncias, aprova√ß√Ķes por ag√™ncias reguladoras reconhecidas por fazer an√°lises robustas, além da recomenda√ß√£o de sociedades médicas brasileiras em prol da vacina√ß√£o do p√ļblico de 5 a 11 anos com a vacina aprovada no Brasil atualmente para essa faixa, a vacina da Pfizer.

Precisamos vacinar as crianças. Crianças podem adoecer e hospitalizar e evoluir para casos mais graves.

Leia mais: Vacinação de crianças não pode exigir receita, defendem todos os estados e DF

Temos dados mostrando que o Brasil é o 2¬ļ pa√≠s com mais óbitos de crian√ßas por covid-19. Sabemos que as crian√ßas recuperadas podem experienciar covid longa. O relatório da ONS do Reino Unido, em dezembro, mostra que 20 mil crian√ßas convivem com covid longa h√° pelo menos um ano. As vacinas reduzem os riscos de tudo isso, principalmente da doen√ßa. Além disso, a amplia√ß√£o para esse p√ļblico somar√° numa cobertura vacinal mais alta.

Além da covid-19, temos circulando uma nova variante da gripe, a influenza H3N2. H√° relatos de casos de dupla infec√ß√£o – covid e gripe. Este quadro é preocupante?

Sim, demonstra que h√° uma falha na ades√£o de medidas de enfrentamento contra v√≠rus respiratórios, além de termos tido baixas coberturas vacinais para influenza na √ļltima campanha. O influenza pode também gerar quadros mais graves, principalmente em popula√ß√Ķes mais vulner√°veis. Portanto, é preocupante, e pode também sobrecarregar o sistema de sa√ļde, somado às consequ√™ncias da covid-19 e de outras enfermidades.

Na sua avalia√ß√£o, que medidas devem ser tomadas para evitar uma piora dessas doen√ßas neste per√≠odo de férias e aproxima√ß√£o do carnaval?

As pessoas precisam entender que n√£o é o momento para aglomera√ß√Ķes, infelizmente. Teremos muitos momentos para isso quando resolvermos esse cen√°rio de crise, e só chegaremos mais r√°pido nesses momentos se aderirmos todos juntos e de forma coesa agora.

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Podemos evitar um impacto grande dessa poss√≠vel nova onda e tomar um caminho diferente do que vimos em outros pa√≠ses. Precisamos seguir ampliando o m√°ximo que pudermos as coberturas vacinais (para 1¬™, 2¬™ e 3¬™ doses), além da ades√£o de toda a popula√ß√£o às medidas de enfrentamento. Combinando-as, reduzimos ainda mais os riscos.

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