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Quadro de saúde de Luiza Erundina segue estável; deputados prestam solidariedade

Internada desde a tarde de quarta-feira (6) após se sentir mal durante sessão da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial (CDHM) na Câmara dos Deputados, a psolista Luiza Erundina (SP) tem quadro de saúde estável nesta quinta (6).

Por Da Redação

06/06/2024 às 17:11:26 - Atualizado há
Foto: Brasil de Fato

Internada desde a tarde de quarta-feira (6) após se sentir mal durante sessão da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial (CDHM) na Câmara dos Deputados, a psolista Luiza Erundina (SP) tem quadro de saúde estável nesta quinta (6).

"A deputada se mantém internada no Hospital Sírio Libanês, em Brasília. Erundina passou bem a noite. Acordou disposta e conversando normalmente. Todos os exames apresentam resultados normais. O quadro, felizmente, mantém-se estável e logo irá para o quarto", informou a equipe de Erundina.

A parlamentar teve uma intercorrência de saúde na tarde de quarta logo depois de proferir um discurso de cerca de seis minutos enquanto participava de sessão na CDHM. Na ocasião, o colegiado discutia, eu meio ao clima de polarização que lhe é peculiar, o projeto de lei (PL) 1156/2021, que impõe ao Estado brasileiro a incumbência de identificar publicamente locais utilizados para a prática de repressão política durante a ditadura militar (1964-1985). Relatora da proposta, Erundina tem longo histórico de atuação pela responsabilização dos agentes que trabalhavam a favor do regime.

Após a internação, a deputada recebeu diferentes manifestações de apoio, dentro e fora do plenário da Casa. A ordem do dia chegou a ser encerrada durante a noite a pedido da bancada feminina, que pediu liberação para ir ao hospital prestar solidariedade a Erundina. A ocorrência de saúde envolvendo a deputada se deu no mesmo dia em que outro episódio de acirramento saltou para os holofotes: Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Janones (Avante-MG) brigaram durante embate no Conselho de Ética e tiveram que ser separados por assessores e policiais antes que saíssem no tapa.

O caso repercutiu em diferentes cantos do país, assim como uma outra situação, desta vez atingindo a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP). A parlamentar participava de reunião na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na última terça (4) quando a bolsonarista Coronel Fernanda (PL-MT) fez uma menção acusatória indireta ao lembrar o assassinato do irmão da psolista. Diego Bomfim foi morto junto com outros amigos durante um ataque a tiros enquanto o grupo visitava o Rio de Janeiro (RJ) para participar de um congresso médico, em outubro do ano passado. O caso foi citado pela deputada do PL em tom criminalizatório, sem apresentação de provas, e no âmbito de discussão sobre a proposta que criminaliza o porte e a posse de qualquer quantidade de droga no país, apelidada de PEC das Drogas.

Com isso, o caso envolvendo a deputada Luiza Erundina se somou a esses outros episódios e gerou uma série de manifestações por parte de parlamentares. "Chega de violência política. Deputada Erundina está na UTI e recebi várias denúncias de que durante a fala dela ontem alguns deputados a ofenderam. Já pedi cópia dos áudios e vídeos da sessão. Se for fato, todos serão punidos no rigor do regimento. Cabe até cassação", disse Zeca Dirceu (PT-SP), via X [antigo Twitter].

Deputados como Maria Arraes (Solidariedade-PE), Sâmia Bomfim (Psol-SP), Guilherme Boulos (Psol-SP), Glauber Braga (Psol-RJ), Fernanda Melchionna (Psol-RS), Erika Hilton (Psol-SP) e a ministra Sônia Guajajara também fizeram publicações nas plataformas em apoio a Erundina. Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que esteve no grupo de parlamentares que foram ao hospital visitar a psolista, também se manifestou pelas redes.

"Hoje foi um dia terrível no Congresso Nacional. A extrema direita bolsonarista tentou interditar o debate político com violência e agressões, em especial nas comissões, num nível de ódio e desrespeito tamanhos que levaram a deputada Luiza Erundina, de 89 anos, a passar mal e ser internada numa UTI hospitalar. Não é mais possível que este clima explosivo seja tolerado no parlamento brasileiro. Este comportamento é um ataque frontal à divergência de ideias e à própria democracia. Em nome da civilidade e em solidariedade à nossa querida Erundina, conseguimos pressionar e suspender a sessão no plenário. Basta de truculência e barbárie no Congresso."

Ao citar que a Câmara viveu "um dia de violência e ódio", Alice Portugal (PcdoB-BA), disse que há atualmente um contexto de "interdição da politica". "Esta realidade não pode mais continuar. A democracia exige que o parlamento brasileiro se dê o respeito e sustente os pilares democráticos, onde o debate e as divergências caibam e não se submetam à cultura do ódio e da eliminação do adversário", acrescentou.

Atual segunda-secretária da mesa diretora da Câmara, Maria do Rosário (PT-RS) pediu um "basta" ao cenário de violência política. "Quero manifestar solidariedade a Sâmia Bomfim, a Luiza Erundina e a todas as pessoas que têm sido atacadas nesta Câmara pela má política. Basta. Esta Casa não é uma instituição para o vale-tudo. Há um desmerecimento da política em toda atitude violenta, descortês, desrespeitosa, que a cada dia se vê no plenário, nas comissões e em tantos lugares. A política não é isso. A política é debate, é argumento, é capacidade técnica. A política não pode ser a destruição. Peço que tenhamos uma mudança no curso desta Casa."

Ainda na quarta à noite, durante a sessão plenária da Casa, o deputado Gervásio Maia (PSB-PB) chegou a sugerir publicamente que houvesse um encontro de urgência para discutir limites a serem colocados para o contexto de acirramento entre parlamentares divergentes. "A Casa hoje serviu de palco para envergonhar os nossos eleitores como um todo no país. Fazemos aqui um apelo não só ao presidente Arthur Lira, mas a toda a mesa diretora, aos líderes, para que nós possamos sentar e estabelecer um respeito ao regramento existente e aquele que descumprir terá que ser cassado, ou nós vamos terminar aqui, como em décadas passadas, no meio de um tiroteio, porque é só isso que está faltando", apelou.

Arthur Lira ainda não se manifestou publicamente sobre o assunto. Nesta quinta (6), o líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE), disse a jornalistas que irá procurar o presidente e outros líderes na próxima segunda (10) para propor um encaminhamento conjunto de providências diante do aumento da violência política entre os parlamentares.

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