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Relembre o passo a passo da tentativa de golpe no 8/1

Por Agência Brasil

08/01/2024 às 08:13:44 - Atualizado h√°

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) previa um dia típico para o Distrito Federal naquele domingo, 8 de janeiro de 2023: clima nebuloso, com possibilidade de pancadas de chuva e alerta amarelo quanto aos riscos de alagamento no perímetro urbano.

Não havia nenhum indicativo clim√°tico de que Bras√≠lia teriam um dia anormal para aquela data. Calculava-se que as temperaturas iriam oscilar entre a m√≠nima de 18 ¬įC e m√°xima de 27 ¬įC. Sabia-se que as chances de precipitação eram maiores para o final da tarde e in√≠cio da noite.

A Ag√™ncia Brasileira de Intelig√™ncia, o Comando Militar do Planalto e a Secretaria de Segurança P√ļblica tinham conhecimento de que havia outra inquietação na atmosfera da capital federal. Esses órgãos acompanhavam que o n√ļmero de pessoas no acampamento bolsonarista diante do Quartel General do Exército em Bras√≠lia havia se multiplicado por quase 20 vezes, com a chegada de centenas de ônibus nos dois dias anteriores trazendo militantes de diferentes partes do pa√≠s.

De acordo com o relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos do Dia 8 de janeiro de 2023, 5.500 pessoas estavam no acampamento no s√°bado, dia 7 de janeiro - quantidade muito superior aos 300 manifestantes que ocupavam o local dois dias antes, 5 de janeiro.

O acampamento ficava no Setor Militar Urbano (SMU) em uma √°rea proibida para ocupações por lei (Decreto-Lei n¬ļ 3.437/1941, ainda em vig√™ncia). Aquele território (de 1.320 metros) em torno de fortificações é considerado √°rea de "servidão militar".

O SMU est√° a uma distância de nove quilômetros em linha reta, pelo Eixo Monumental, do Congresso Nacional, do Pal√°cio do Planalto, e do Supremo Tribunal Federal. Dali, os bolsonaristas partiram por volta das 13h. Duas horas depois, iniciavam um inédito atentado terrorista no Brasil contra os Tr√™s Poderes e de destruição parcial de suas sedes na capital do pa√≠s.

Todos os passos foram identificados e constam no relatório da CPMI do 8 de janeiro. Confira um retrospectiva dos principais momentos:

8h20 – Alertas da Abin informam que até esse hor√°rio haviam chegado 101 ônibus a Bras√≠lia para "os atos previstos na Esplanada."

10h – Novo alerta da Abin, a grupo do WhatsApp formado pela PMDF e o GSI/PR entre outros, continua a chegada de manifestantes ao QG do Exército e "que permanecem convocações e incitações para deslocamento até a Esplanada dos Ministérios, ocupações de prédios p√ļblicos e ações violentas."

Valter Campanato/Agência Brasil

13h – Marcha com milhares de pessoas deixa o acampamento do Setor Militar Urbano.

13h23 - Fernando de Sousa Oliveira, substituto de Anderson Torres na Secretaria de Segurança P√ļblica do DF envia √°udio ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, tranquilizando-o sobre a manifestação.

14h30 – Informe da Abin registra que a marcha alcança a primeira barreira policial na Via N1, na altura da Catedral.

14h43 – Grupo chega à linha de contenção formada por duas linhas de gradil localizada na Avenida das Bandeiras.

14h45 – À frente do Congresso Nacional estão apenas 20 PMs do 1¬ļ Batalhão de Policiamento de Choque.

15h – Golpistas j√° conseguiram subir a rampa do Congresso para invadir e destruir prédio.

15h10 – Outros grupos invadem o estacionamento e a parte de tr√°s do Pal√°cio do Planalto.

15h15 - 12 PMs do 2¬ļ Pelotão de Policiamento de Choque chegaram ao Congresso, mas não reprimem os invasores e "chegaram a sinalizar para que os presentes prosseguissem com a invasão", descreve relatório da CPMI.

15h16 – PM se retira da via S1 na altura do Congresso, e liberam acesso aos insurgentes para alcançarem o prédio do Supremo Tribunal Federal.

Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto. - Marcelo Camargo/Agência Brasil

15h20 – Vândalos derrubam as grades de isolamento do Pal√°cio do Planalto, sobem rampa, quebram os vidros da fachada e entram no prédio.

15h26 – Manifestantes chegam à Praça dos Tr√™s Poderes em ponto próximo ao STF.

15h37 – Inicia a invasão do edif√≠cio-sede do STF

Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto., por Marcelo Camargo/Agência Brasil

15h45 – Golpistas chegam ao 3¬ļ andar do Planalto, onde fica o gabinete do presidente da Rep√ļblica.

15h53 – PMs abandonam o prédio do Congresso Nacional. Alguns deles são atacados pelos terroristas.

16h25 – Inicia a expulsão invasores dos prédios p√ļblicos.

16h40 - Chega ao Pal√°cio do Planalto o Batalhão da Guarda Presidencial (BGP)

Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto. - Marcelo Camargo/Agência Brasil

17h - O Batalhão de Choque da PMDF, requerida duas horas antes, chegou ao Congresso Nacional.

17h08 – O governador do DF, Ibaneis Rocha, demite o secret√°rio de Segurança P√ļblica, Anderson Torres, em férias antecipada nos Estados Unidos.

17h15 – Entram no pal√°cio presidencial a Companhia da Base de Administração e Apoio do Comando Militar do Planalto e um pelotão do 1¬ļ Regimento de Cavalaria de Guardas.

17h30 – Boa parte dos prédios invadidos estão desocupados, mas multidão ainda se concentra em parte externa do Congresso Nacional.

17h50 – De Araraquara (SP), o presidente Lula decreta intervenção federal na Secretaria de Segurança P√ļblica do DF.

18h20 – Extremistas colocam fogo no gramado do Congresso Nacional.

19h – Em v√≠deo na internet, o governador Ibaneis Rocha pede desculpas à população.

20h – O interventor na Secretaria de Segurança do DF, Ricardo Capelli, convoca todo efetivo de segurança para a Esplanada para efetuar o maior n√ļmero poss√≠vel de prisões e expulsar os insurgentes da √°rea. Capelli negocia com militares as prisões no acampamento do SMU, que ocorreriam nas primeiras horas do dia 09/01.

21h17 – Dos Estados Unidos, cerca de 6 horas após o in√≠cio das invasões e depredações, o ex-presidente Jair Bolsonaro publica nota em rede social condenando os ataques e se eximindo de qualquer responsabilidade.

22h – O presidente Lula vistoria o Pal√°cio do Planalto e o STF em companhia dos ministros Rosa Weber, Roberto Barroso e Dias Toffoli.

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