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Indonésia transfere exercícios militares da Asean para longe do Mar da China Meridional

A Indonésia anunciou nesta quinta-feira (22) que decidiu alterar o local do primeiro exercício militar conjunto da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), afastando-o significativamente do Mar da China Meridional, área na qual vários países, incluindo a China, possuem disputas territoriais entrelaçadas.

Por Da Redação

22/06/2023 às 17:59:38 - Atualizado há

A Indonésia anunciou nesta quinta-feira (22) que decidiu alterar o local do primeiro exercício militar conjunto da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), afastando-o significativamente do Mar da China Meridional, área na qual vários países, incluindo a China, possuem disputas territoriais entrelaçadas. As informações são da agência Reuters.

De acordo com informações divulgadas pelas forças armadas indonésias, os exercícios, que não envolvem combate e são destinados aos membros da Asean, estavam originalmente programados para ocorrer nas águas mais ao sul do Mar da China Meridional, local também reivindicado por Beijing.

No entanto, de acordo com o porta-voz militar Julius Widjojono, o exercício, previsto para acontecer entre 18 e 25 de setembro, será transferido da hidrovia estratégica para o Mar de Natuna do Sul, localizado em águas indonésias.

Bandeiras das nações da Asean hasteadas em frente à Embaixada do Japão em Jacarta, Indonésia (Foto: WikiCommons)

Segundo ele, “este exercício não se concentra em combate, portanto, é mais adequado para o sul, onde há maior contato direto com as pessoas”. Widjojono acrescentou que as manobras serão realizadas nas proximidades da ilha de Batam, situada na foz do Estreito de Malaca.

Conforme informado pelas autoridades militares da Indonésia, os exercícios agendados se concentrarão em patrulhas marítimas conjuntas, assistência médica, operações de busca e resgate, além de fornecer auxílio humanitário e socorro em casos de desastres. Eles também afirmaram que a decisão de alterar o local dos exercícios foi tomada de forma independente, sem qualquer intervenção de outros países.

A Asean é uma organização internacional formada por 10 países membros localizados no Sudeste Asiático: Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Cingapura, Tailândia e Vietnã.

Os exercícios regionais, denominados oficialmente como Asean Solidity Exercise (ENatuna) ou Asec01N, contarão com a participação dos 10 Estados-membros, além de Timor-Leste, que solicitou adesão ao bloco do Sudeste Asiático.

O bloco econômico tem enfrentado desafios devido à rivalidade entre os Estados Unidos e a China no Mar da China Meridional, uma rota crucial para o comércio marítimo, avaliado em cerca de US$ 3,5 trilhões anualmente. Países como Vietnã, Filipinas, Brunei e Malásia têm reivindicações territoriais conflitantes com Beijing, que alega soberania sobre vastas áreas oceânicas, incluindo partes da zona econômica exclusiva da Indonésia.

As águas do Mar da China Meridional, ricas em minerais e quentes, têm sido uma fonte constante de disputa entre a China e alguns países da região. Os Estados Unidos se alinharam com as nações que se opõem às reivindicações territoriais de Beijing.

A China baseia suas reivindicações na chamada “linha de nove traços”, traçada em seus mapas históricos. Porém, em 2016, as Filipinas obtiveram uma vitória no Tribunal Permanente de Arbitragem, sediado em Haia, que invalidou as alegações de expansão do Mar da China Meridional feitas por Beijing.

Por que isso importa?

Na última década, o Mar da China Meridional tem sido palco de inúmeras disputas territoriais entre a China e outros reclamantes do Sudeste Asiático, bem como de uma disputa geopolítica com os Estados Unidos quanto à liberdade de navegação nas águas contestadas. 

Os chineses ampliaram suas reivindicações sobre praticamente todo o Mar da China Meridional e ali ergueram bases insulares em atóis de coral ao longo dos últimos dez anos. Washington deu sua resposta com o envio de navios de guerra à região, no que classifica como "missões de liberdade de operação".

Embora os EUA não tenham reivindicações territoriais na área, há décadas o governo norte-americano tem enviado navios e aeronaves da Marinha para patrulhar, com o objetivo de promover a navegação livre nas vias marítimas ??internacionais e no espaço aéreo.

Segundo o comandante dos EUA no Indo-Pacífico, almirante John C. Aquilino, a razão da presença de Washington na região é "prevenir a guerra por meio da dissuasão e promover a paz e a estabilidade, inclusive envolvendo aliados e parceiros americanos em projetos com esse objetivo".

Já a atuação de Beijing, de acordo com o almirante, é preocupante. "Acho que nos últimos 20 anos testemunhamos o maior acúmulo militar desde a Segunda Guerra Mundial pela República Popular da China", afirmou. "Eles avançaram todas as suas capacidades, e esse acúmulo de armamento está desestabilizando a região".

Fonte: A Referência
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