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Afegãos lutarão por suas vidas neste inverno, de acordo com a Cruz Vermelha

Por Da Redação

21/11/2022 às 15:42:12 - Atualizado há

Além da batalha contra a fome, o terror e a repressão do Taleban, fatores que continuarão a corroer as condições de vida do povo afegão no próximo ano, o inverno está batendo à porta. Faltando um mês para a chegada da estação fria, sobreviver será a palavra de ordem no Afeganistão, segundo um alto funcionário do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. As informações são da agência Associated Press (AP).

O novo regime no país começou a ganhar forma no começo de julho de 2021, com o esvaziamento da base militar de Bagram, que durante 20 anos foi o centro do poder militar dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio. Desde a debandada e consequente tomada de poder pelos jihadistas, a pobreza e o fundamentalismo norteado por abordagem radical da lei islâmica, a "Sharia", vêm desfigurando a nação.

“A dificuldade econômica existe. É muito sério e as pessoas vão lutar por suas vidas”, disse Martin Schuepp, diretor de operações da Cruz Vermelha, em entrevista no domingo (20).

Rigoroso inverno afegão irá piorar cenário de desastre humanitário no país (Foto: WikiCommons)

Ele faz previsões sombrias para a população que vive sob a mão-de-ferro de um movimento fundamentalista há 15 meses. A começar pelo início do inverno, que irá ampliar as necessidades humanitárias extremas que metade do país enfrenta, observa Schuepp.

“Os preços estão disparando devido a uma série de razões, mas também a questão das sanções levou a enormes consequências”, disse ele. “Vemos cada vez mais afegãos tendo que vender seus pertences para sobreviver, onde precisam comprar coisas para se manterem aquecidos e, ao mesmo tempo, enfrentar custos crescentes com alimentos e outros itens essenciais”.

Para piorar o quadro, sanções aplicadas ao Taleban, suspensão de transferências bancárias e bilhões congelados nas reservas cambiais do Afeganistão restringiram o acesso a instituições globais e ao dinheiro que vinha de fora e alimentava a deteriorada economia local.

Segundo Schuepp, a Cruz Vermelha arca com os salários de 10,5 mil médicos de modo a garantir a continuidade dos serviços básicos de saúde no país.

“Estamos muito conscientes de que não é nosso papel principal pagar os salários da equipe médica. Como organização humanitária, não estamos em melhor posição para fazer isso. Fizemos isso excepcionalmente para garantir que os serviços continuem a ser prestados”, observou.

Schuepp também relatou que a Cruz Vermelha é responsável por colocar comida no prato da maior parte da população carcerária do país, embora não saiba precisar o número de prisioneiros.

“Intensificamos o nosso apoio às prisões e aos reclusos, garantindo alimentação nas prisões de todo o país”, disse. “Hoje, cerca de 80% da população carcerária se beneficia desse apoio alimentar”.

O alto funcionário relatou que o trabalho da Cruz Vermelha deveria ser uma “medida temporária”, focado em manter os serviços básicos, necessários após a queda do governo afegão, que tinha o apoio de Washington.

Da instabilidade ao colapso

Um ano e três meses depois de o último soldado do Ocidente ter apagado a luz e fechado a porta, o êxito talibã levou o Afeganistão de uma crise humanitária para a catástrofe. Um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado em julho revelou que cerca de 700 pessoas foram mortas e mais de 1,4 mil ficaram feridas desde o fatídico agosto de 2021.

O pior cenário é o de mulheres e meninas, que se tornou precário no período em análise. O governo talibã tem na repressão de gênero uma de suas mais autoritárias marcas. Elas não podem estudar, trabalhar e nem sair de casa desacompanhada de um homem.

A perda do salário por parte de muitas mulheres que sustentavam suas casas tem contribuído para o empobrecimento da população afegã. Há também inúmeros casos de solteiras ou viúvas que foram forçadas a se casar com combatentes.

A população em geral ainda sente a mão pesada dos jihadistas em execuções extrajudiciais, tortura, maus-tratos, prisões, detenções arbitrárias e ruptura de liberdades fundamentais.

Fonte: A Referência
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