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Diretor de 'Oldboy' soterra sede por violência e sexo e exibe novelão em Cannes

Por Da Redação

24/05/2022 às 13:19:28 - Atualizado há

Não que novelões agradem a todos. As palmas no fim da sessão do longa, neste início da segunda semana do festival, não corresponderam à energia e excitação que contaminavam a sala enquanto os créditos iniciais subiam. Era o efeito Park Chan-wook, que em seu último longa, "A Criada", de 2016, eletrizou Cannes com uma boa dose de erotismo e sagacidade.

Em "Decision to Leave", ele decidiu soterrar sua sede por sexo e violência, abrindo espaço para uma maior idealização e certa inocência na história de amor da vez. Ela é protagonizada por um detetive coreano que investiga uma morte –tudo aponta para um acidente, mas astuto do jeito que é, ele não compra a solução óbvia para o caso.

Ao se aprofundar nos acontecimentos que levaram um homem a cair de um enorme penhasco, ele se envolve com a viúva da vítima, também a principal suspeita do que ele acredita ser um homicídio. O protagonista é casado e todo certinho, mas é com muito cuidado que Chan-wook deixa seu personagem, e também o próprio público, ser seduzido pela mulher.

O amor e a investigação florescem e rendem frutos paralelamente, embalados por uma trilha sonora densa, um tanto óbvia, mas que casa com a afetação e a excentricidade que Chan-wook já demonstrou em seus trabalhos anteriores. Não estamos falando de um cineasta sutil, e "Decision to Leave" tampouco o é.

O flerte com o onírico se repete, enquanto o sul-coreano mais uma vez deixa seus personagens se perderem no espaço-tempo. O longa nem sempre avança de forma óbvia e cronológica, como foi com "A Criada", a sensação lésbica de que apresentava diferentes capítulos e visões para narrar os mesmos fatos.

Chan-wook tenta ganhar sua primeira Palma de Ouro em Cannes, depois de ter recebido o grande prêmio e o prêmio do júri por "Oldboy" e "Sede de Sangue", respectivamente. A segunda semana do festival reserva alguns dos principais filmes desta edição, mas "Decision to Leave" deve ganhar tração até a cerimônia de encerramento do sábado.

Outro drama pesado recém-exibido na mostra principal foi "Les Amandiers", de Valeria Bruni Tedeschi. Ambientado nos anos 1980, ele acompanha um grupo de alunos da prestigiada escola de atuação francesa que dá nome ao filme, criada por Patrice Chéreau e Pierre Romans.

Não há nada que já não tenhamos visto no cinema, francês ou não. Testemunhamos o amadurecimento de uma juventude inconsequente e sonhadora, que assim que entra na escola e, portanto, na vida adulta, passa a lidar com uma série de traumas.

Paixão, doença, dinheiro e carreira atraem e opõem os personagens a toda hora, anunciando que suas vidas podem ser tão trágicas quanto as peças que encenam na escola francesa.

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Jornalista Luciana Pombo

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