Polícia Almirante Tamandaré

Julgamento sobre morte de mulheres em Almirante Tamandaré será em Curitiba

Caso aguarda duas décadas para ser julgado e os culpados, punidos

Por Luciana Pombo

18/01/2022 às 14:37:15 - Atualizado há
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A morte de dezenas de mulheres de forma suspeita em Almirante Tamandaré no início da década de 2000 até hoje segue sem a devida punição dos culpados. As investigações foram realizadas pela Polícia Civil e o Ministério Público (MP) aprofundou as diligências para punição de policiais civis e empresários que participaram de torturas e assassinato de mulheres com a finalidade de queima de arquivo. Muitas conheciam esquemas de corrupção, envolvendo até políticos de Almirante Tamandaré e Rio Branco do Sul. Outras, sabiam sobre o desdobramento do tráfico de drogas na região.

O julgamento ocorreria no final do ano passado, em Almirante Tamandaré. No entanto, por conta do clamor social (por ser um caso de repercussão da mídia), ele vai para Juri Popular, em Curitiba. Nova data ainda não foi marcada. As primeiras mortes de mulheres, aparentemente sem explicação, começaram a ser registradas em 1999. No entanto, várias mortes foram ocorrendo em situações parecidas. As mulheres apareciam com as roupas abaixadas, simulando abuso sexual. Na maior parte das vezes elas tinham sinal de violência. No entanto, as mortes eram provocadas por asfixia ou estrangulamento.

Em dois anos de investigações, a Polícia Civil conseguiu solucionar apenas cinco casos. Os demais, até pouco tempo, foram arquivados por falta absoluta de provas. Os protestos dos moradores locais, que estavam com medo de andar nas ruas e serem vítimas de um matador em série, fizeram que a Secretaria de Estado da Segurança Pública tomasse as primeiras providências e designasse uma equipe especial para cuidar do caso. Eu mesma, como jornalista, comecei a realizar uma série de matérias na Folha de Londrina (jornal para o qual eu escrevia).

Em um mês de novas diligências, a Polícia Civil solicitou 31 pedidos de prisões temporárias e efetivou a prisão de 16 supostos envolvidos nos crimes. O inquérito apontou que os assassinatos de mulheres em Almirante Tamandaré foram feitos por integrantes de uma mesma quadrilha que comandava o crime organizado em Almirante Tamandaré, Itaperuçu e Rio Branco do Sul. Outros dois crimes de mulheres mortas nas mesmas circunstâncias das anteriores foram investigados. Uma delas foi morta em Rio Branco do Sul e a outra em Itaperuçu e também teriam sido arquivados por falta de provas.

As investigações acabaram culminando na transferência do delegado Rogério Haisi, de Almirante Tamandaré, que estava no cargo desde 2000. O escrivão da delegacia, Alexsander Pimenta, foi preso. O mesmo ocorreu com o funcionário da prefeitura que prestava serviços na delegacia, Luiz Antonio Alves dos Santos, conhecido como Luizão. Eles estariam envolvidos nos crimes, dificultando o acesso às informações. Oito policiais militares também foram presos. Entre eles, ex-policiais que atuam junto a administração municipal até os dias de hoje.

As testemunhas tinham medo de falar abertamente sobre os crimes e tiveram que pedir proteção à vida. Muitas foram acompanhadas pela polícia e acabaram, mesmo assim, mortas no transcorrer das investigações. As investigações apontavam – como eu disse - para ligações perigosas entre políticos, delegados e empresários dos três municípios vizinhos de Curitiba. Até hoje muitos temem falar sobre o caso. Já os familiares das mulheres mortes aguardam, com ansiedade, pelo julgamento e pela punição de todos os envolvidos.

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