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Qual é a melhor escola? Confira o guia que montamos para ajudar nessa escolha

Por Da Redação

28/11/2021 às 16:13:42 - Atualizado há

Proposta pedagógica, espaço físico, distância de casa e, claro, o valor. A arquiteta Ana Carolina Moreira já visitou até agora oito instituições de ensino diferentes em busca do melhor lugar para a filha Liz de 1 ano e 10 meses chamar de minha escola. “Gosto de espaço, gosto de natureza, gosto de saber que minha filha terá liberdade orientada para mostrar quem ela é, o que ela gosta. Confesso que estou bem encantada com o sócio-interacionismo e o construtivismo”, afirma. 

A maratona vale a pena. Carolina está entre duas delas e deve visitá-las novamente para determinar qual vence a disputa:  “Não abro mão de um ensino mais respeitoso com o indivíduo, que permita o seu desenvolvimento criativo.  Inclusive, uma coisa que, inicialmente, não achei que fosse uma preocupação, mas conversando com outras mães se mostrou como um ponto a ser questionado às escolas é sobre o uso de tela, já que é algo que controlo em casa”. 

E até a matrícula ser efetivada, ainda tem muitas outras perguntas que a escola vai precisar responder. Qual a metodologia? É bilíngue? Tem robótica? E os professores são mesmo qualificados? Construtivista ou tradicional? Essas são só algumas das inúmeras dúvidas que tomam conta da cabeça dos pais que começam a procurar uma escola para o ano que vem. A gente quer tudo mesmo: que o filho cresça e faça ‘boas escolhas’, tenha ‘um bom futuro’. 

“Não existe resposta simples. Todos queremos que nossos filhos sigam ‘um bom caminho’, mas vivemos em uma sociedade desigual, altamente seletiva e exigente de resultados. É preciso buscar escolas que mostrem preocupação com o lado do lado social e emocional de seus alunos, que os ajudem a ampliar os horizontes de possibilidades e, ao mesmo tempo, se preocupe com o aprendizado dos conteúdos numa perspectiva integral, conectada com valores importantes, como a colaboração, espírito de equipe, o combate ao racismo, por exemplo”, destaca professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (Faced/ Ufba), Karina Menezes. 

Seja pela primeira vez ou para quem está avaliando se troca o filho de escola ou não, a gente ouviu diversos especialistas da área de Educação e Psicologia para montar um guia com 10 conselhos de verdade que podem ajudar nessa decisão, levando em consideração todas as transformações que a pandemia provocou na Educação nesse último ano. Prepare o check-list. 


1) O que levar em consideração na hora de escolher uma escola? 
Aqui é o ponto de partida do desafio de encontrar a melhor escola, que a pedagoga e psicopedagoga, Iruska Garboggini, define em uma pergunta: qual o perfil de escola que eu gostaria para meu filho? Seja uma instituição de ensino que tenha uma metodologia que visa as atividades práticas, vivências ou mais tradicional e conteudista, ela destaca o que não pode ficar de fora do check-list.

“Na lista precisa entrar questões como qual a proposta pedagógica, o espaço físico (especialmente na Educação Infantil e Ensino Fundamental I/ 1º ao 5º ano), valor da mensalidade e qual o seu custo benefício, a formação dos professores, além da distância entre a escola e a residência”.

 A escolha deve refletir os princípios e a educação que a família acredita. Ainda nesta etapa inicial vão surgir mais alguns pontos, como acrescenta a professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Karina Menezes: “É se perguntar: como meu filho ou filha vai ser sentir nessa escola? O estilo dela vai realmente contribuir para o seu desenvolvimento? Vale procurar saber quais são os livros didáticos adotados, o que mais ela usa além deles e qual o lugar da literatura no projeto pedagógico. Inclusive, é bom ficar atento ao custo desse material”.  

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2) Ao fazer uma visita, que informações buscar e qual a orientação ao conversar com a direção ou coordenação pedagógica? 
O ideal é ter uma conversa bem franca e esclarecedora com a gestão da escola, solicitar informações sobre o Projeto Político Pedagógico, o currículo e como essas práticas acontecem.

Antes de agendar qualquer visita, a professora pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Infantil, Crianças e Infâncias (Gepeici/Faced/Ufba), Daniela Varandas aconselha que os pais não deixem de checar se a instituição está regular na Secretaria de Educação e com autorização para funcionamento.  

“Os pais podem consultar o site do Ministério de Educação e Cultura (MEC) e buscar estas informações sobre a oferta e o funcionamento das escolas. Estes informes ficam disponíveis para qualquer cidadão”.  

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3) A escola precisa ser bilíngue? 
Para ser bilíngue ela deve seguir as Diretrizes Curriculares Nacionais para oferta da Educação Plurilíngue (Parecer CNE/CEB nº2/2020), como esclarece Daniela Varandas. A globalização aumenta, de fato, a procura pelo ensino de inglês, porém, ainda é um desafio para o Brasil a fluência na língua.

“O governo, os sistemas de ensino devem antes de tudo investir na formação docente, no ensino do Inglês e também do Espanhol já que somos da língua latina, pois sem o pleno domínio não temos como ofertar escola bilíngue. Acredito que em um país tão carente como o nosso não é prioridade ser escola bilíngue, a prioridade é que ela seja boa e de qualidade. O bilinguismo virá com um ‘plus’”.

Já para a também professora da Faculdade de Educação da Ufba, Karina Menezes, a escola bilíngue pode ser uma oportunidade de conhecer outro idioma, acessar diferentes conhecimentos, mas é essencial que ela não desvalorize a cultura originária do estudante.

“Somos um país monolíngue cujo sentido da língua portuguesa foi formado através da violência. Muitos povos ancestrais tiveram suas línguas maternas exterminadas. Essa desvalorização seria uma nova violência e é importante que a educação seja desenvolvida para a paz”.  

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4) Essa geração que nasceu no ambiente tecnológico precisa ter aulas de robótica, aulas programação ou code desde cedo? 
Para Karina Menezes, não é necessidade tão urgente para os pequenos. Fazer robôs é interessante, porém, na verdade, o que é inadiável é  que o estudante aprenda sobre as consequências das tecnologias em suas vidas.

“Ensinar robótica e programação como algo instrumental sem conectar com as reflexões sobre os efeitos dessas áreas na vida humana, pode se tornar algo superficial. A geração que nasceu em ambientes tecnológicos tem muito mais urgência em aprender a se transitar pelas tecnologias de forma segura, a identificar quando uma notícia é falsa, ou quando um golpe digital está ocorrendo, ou ainda, a nunca cometer bullying por redes sociais, a não ser racista ou ter preconceitos”, comenta.  

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5) Uma educação mais atenta no fortalecimento do lado social e emocional ou mais focada no resultado? Qual o caminho para resolver esse impasse? 
Sim, esse é um dos dilemas que os pais mais se questionam, como ressalta  a pedagoga e psicopedagoga, Iruska Garboggini.

“O que adianta um jovem preparado para entrar na universidade, mas que não tem resiliência para enfrentar os problemas do dia a dia? É essencial que a escola proporcione um ambiente reflexivo, autoral e que potencialize a inteligência socioemocional dos alunos”.

Ela recomenda que a inquietação com uma ‘alta performance’, seja apenas nas séries finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, caso os pais desejem. “Não se justifica na Educação Infantil ou nas séries do Ensino Fundamental Anos Iniciais (1º ao 5º ano) esta preocupação”, opina. 

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6) E no caso de uma criança atípica? O que avaliar? 
Alunos com diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção (TDA), Transtorno do Espectro Autista e distúrbios como a dislexia são algumas destas necessidades educativas especiais. Os pais devem buscar mais informações e tirar todas as dúvidas com a gestão da escola sobre qual o seu programa de inclusão e relatar quais são os desafios da criança.

Professora do Programa de Pós-graduação em Educação da Ufba, Cilene Canda, reforça a questão da preparação dos profissionais, desde o professor ao auxiliar de classe. “Cada deficiência ou síndrome se apresenta de um modo muito específico em cada criança. Por isso eu insisto na questão da formação tanto técnica quanto teórica, como também no ponto de vista prático na relação com ela. Qual a concepção de inclusão que a escola também oferta, escolhe, desenvolve desde a entrada, conversa em sala de aula, recreio, projetos especiais e em que medida a inclusão está sendo considerada nas mais diversas áreas na instituição”, detalha.  

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7) Como a pandemia 'reconfigurou' as escolas? O que antes da pandemia era opcional, mas agora passa a ser um ponto fundamental nessa escolha? 
As adequações rápidas e imediatas ao ensino remoto reconfiguraram sim, alguns desses aspectos como sinaliza a pedagoga e psicopedagoga, Iruska Garboggini.

“Sem dúvida há uma lacuna na educação que precisa ser resgatada nos próximos anos. A escola deve fazer atividades diagnósticas para avaliar os déficits e traçar um plano de recuperação paralela ao ano corrente.  Além das dificuldades conceituais, há um atraso motor na educação infantil, assim como nas interações entre os pares e questões psicológicas derivadas do confinamento. As crianças e jovens podem estar mais impacientes, menos resilientes para lidar com situações cotidianas. As escolas, também devem ter projetos que amparem emocionalmente as crianças e jovens”, comenta.      

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8) A gente tem ainda, alunos que chegam com outras dificuldades trazidas pela pandemia. Diante disso, o que vai fazer a diferença? 
Muitas famílias perderam entes queridos, outras perderam o emprego, parte da renda, desenvolveram doenças psicossociais em função do longo isolamento.

As escolas precisam ter profissionais formados na área de Psicopedagogia, Psicologia, Orientação escolar ou com uma formação que dê conta de acolher estas demandas, como defende a professora da Faculdade de Educação da Ufba, Daniela Varandas.

“As escolas que têm e fazem um trabalho de acolhimento, escuta e orientação apresentam um grande diferencial neste momento pandêmico”.  

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9) Acabamos de ver exemplos de escolas que passaram a mão na cabeça de estudantes relacionadas ao racismo. Como encontrar instituições de ensino que lidem melhor com a diversidade? 
Psicopedagoga clínica e institucional, Rosemeire Morais Brito defende que a escola tenha um regimento ou referencial de conduta que deixe claro qual o tratamento dado a essa questão.

“Além disso, ela deve promover ações sobre o tema antirracismo, abrindo espaços de diálogo com famílias, alunos e comunidade escolar, assim como tratar outras questões como o bullying, depressão, suicídio para que as intervenções ocorram o mais cedo possível”.

A escola não pode ser local de silêncio diante do racismo ou limitar o assunto às datas comemorativas. É o que considera a professora da Faculdade de Educação da Ufba, Daniela Varandas, levanta mais algumas provocações que os pais devem levar:

“Nesta escola tem negros exercendo funções de liderança? Tem professores negros? Qual o quantitativo de crianças negras e brancas? Como a relação étnico-racial é trabalhada?”.   

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10) Como identificar uma escola realmente inovadora? 
Escolas que trabalham valores, atitudes e conteúdos de forma integrada. A professora da Faculdade de Educação da Ufba, Karina Menezes afirma que são instituições que valorizam a colaboração, que respeitam seus profissionais, que se posicionam contra o racismo e outros preconceitos. A inovação está aí.

“Uma formação que estimule a  capacidade de ler e entender o que lê. Criatividade. Inventividade. Habilidade de se comunicar e se posicionar. Questionar as desigualdades. Ser colaborativo e solidário muito mais que habilidades. É preciso também valores”. 


CONHEÇA AS PRINCIPAIS LINHAS PEDAGÓGICAS 

. Construtivista 
Na linha construtivista, o conhecimento é construído, alunos estão no centro e são protagonistas do currículo escolar, enquanto o professor assume o papel de mediador e não de detentor do conhecimento. 

. Tradicional  
A ênfase fica no resultado, no conteúdo. É a metodologia mais tradicional e, geralmente, escolas tradicionais são mais conservadoras tendem a ser mais rígidas com tarefas e as avaliações. 

. Sócio-interacionista  
A linha sócio-interacionista dá ênfase a dimensão sociocultural do estudante e importância ao contexto em que se aprende. Foco em atividades de grupo, na linguagem e no relacionamento interpessoal.    

. Waldorf (Antroposófica)  
Nesse caso, a metodologia é focada no desenvolvimento físico, individual, social e emocional. Os alunos são agrupados por idades e não necessariamente por séries, sem aquele  conceito de ‘repetir de ano’. Há ensino de outros conteúdos como música e artes plásticas e a avaliação é baseada nas atividades diárias e envolve habilidades sociais e virtudes como interesse e força de vontade. 

. Montessoriano  
A linha busca desenvolver o senso de responsabilidade da criança pelo próprio aprendizado, enfatiza os exercícios de concentração individual e, nas fases iniciais, estimula a manipulação e montagem de objetos. O professor é entendido como um guia que vai ajudar as crianças na superação das dificuldades. 


PROPOSTAS INTERESSANTES, SEGUNDO ESPECIALISTAS

Escolas confessionais 
“Mas se opção é por instituições mais confessionais, algumas destas escolas expressam no seu fazer pedagógico, valores e princípios muito próprios, de caráter humanista sem perder de vista as demandas da atualidade. O colégio Antônio Vieira e a Rede Marista de educação, são exemplos vivos desta tradição”. (Rosemeire Morais, psicopedagoga clínica e institucional)

Educação afrocentrada 
“A proposta da escola Maria Felipa é muito interessante. Ela é uma escola trilingue com inglês e libras. Um projeto pedagógico afrocentrado, afrobrasileiro, decolonial e antirracista. Valoriza a ancestralidade e a formação histórica do nosso país, promovendo socialização igualitária de saberes. Promove a inclusão e tem um forte viés social”. (Karina Menezes, Professora da Faculdade de Educação da Ufba)  

Infância 
“Das escolas que eu conheço, do ponto de vista do ensino privado, eu destacaria algumas como a Casa Via Magia. É uma escola que tem uma visão muito humanística e sensível e um trabalho permanente na formação de professores. Além disso, outras escolas como o Miró, o Oficina, que trazem também a perspectiva do aluno como o centro do currículo”. (Cilene Canda, professora do Programa de Pós-graduação em Educação da Ufba)


E NA REDE PÚBLICA?

Se por um lado, as escolas da rede privada já estão movimentando a pré-matrícula para 2022, tanto a rede municipal quanto a rede estadual de educação não tem ainda a data para divulgação do período de matrículas do ano que vem.

No caso da Secretaria Municipal da Educação (Smed), o cronograma de matrícula está em processo de elaboração, porém, os alunos da rede municipal e conveniadas são matriculados  automaticamente para o ano seguinte. Também procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual de Educação (SEC) adiantou que em 2022, será ampliada a oferta da Educação em Tempo Integral, dos cursos de Educação Profissional.  

Mesmo sem a abertura das matrículas, os pais já podem iniciar a visitação nas unidades escolares, desde que seja feito um agendamento prévio, por telefone, com a escola de interesse. Na rede municipal, também é necessário agendar com a escola, mas, por conta da pandemia, os pais precisam aguardar o encerramento do ano letivo. 

 
 

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