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Prêmio da OIT é incentivo em meio a avalanche de retrocessos, diz dirigente do MST

Por Brasil de Fato

21/10/2021 às 10:02:38 - Atualizado há

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) receberá, na próxima sexta-feira (22), o prêmio Esther Busser Memorial Prize, promovido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), por sua atuação na garantia de condições dignas de vida e de trabalho para a população brasileira.

Fundado em 1984, no contexto da redemocratização do Brasil, o MST possui cerca de 350 mil famílias assentadas em 24 estados.

A cerimônia será virtual, a partir das 8h (horário de Brasília). A representante dos sem-terra que discursará no evento será Ayala Ferreira, que integra a direção nacional do movimento pelo Coletivo Nacional de Direitos Humanos.

"Não é a primeira vez que o movimento recebe esse tipo de reconhecimento por sua prática política na luta pela terra e pela reforma agrária. Também já recebemos prêmios vinculados às práticas educacionais e culturais do movimento, e é sempre uma alegria para a militância", afirma a dirigente.

"Acaba sendo um incentivo para que sigamos nesse esforço coletivo de carregar as bandeiras que, de certa forma, expressam a existência do MST: a terra, a reforma agrária e as lutas pelas transformações sociais do nosso país."


Ayala Ferreira, durante Feira da Reforma Agrária em 2018 / Arquivo MST

Enquanto no Brasil o MST é alvo de ações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de "fake news" por parte de seus apoiadores, prêmios como os da OIT reafirmam o respeito da comunidade internacional pelo maior movimento social da América Latina.

"Esses reconhecimentos nos impulsionam a seguir o caminho de construção de ações de solidariedade, em defesa da vida, do meio ambiente e dos direitos das pessoas, de forma geral", ressalta Ayala Ferreira.

O MST promove a reforma agrária no país, por meio da ocupação de terras ociosas, latifúndios improdutivos e fazendas que promovem trabalho escravo. A organização aposta na defesa da soberania alimentar, na produção de comida sem veneno e no respeito ao meio ambiente, por meio da agroecologia.

Outras quatro entidades do Sul global que atuam na defesa da dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras serão homenageadas na sexta. A dirigente sem-terra diz estar curiosa para saber quais são as outras organizações premiadas.

Até o momento, o MST recebeu apenas um comunicado dos organizadores informando por que o movimento foi escolhido pela OIT, entre centenas de entidades.

"A mensagem que a gente recebeu foi bem clara: não só pela existência do MST e pelas 350 mil famílias mobilizadas pelo país inteiro ao longo de 37 anos, mas pelo papel que o movimento desempenhou no período mais recente, de crise do capitalismo, aprofundada pela pandemia, com uma avalanche de retrocessos e conservadorismos que ameaçam nossa democracia."


A ação faz parte do plano nacional "Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis" / Foto: Sidineia Camilo

Devido ao desmonte das políticas públicas de segurança alimentar e de incentivo à agricultura familiar, o Brasil retornou aos patamares do Mapa da Fome em 2020.

Durante a pandemia de covid-19, o MST se notabilizou por doar mais de 5 mil toneladas de alimentos para populações vulneráveis e por plantar mais de 1 milhão de árvores em todo país, por meio do Plano Nacional "Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis".

Esther Busser, que dá nome ao prêmio, foi uma defensora incansável dos direitos dos trabalhadores. Ela atuou como pesquisadora e diretora adjunta da Confederação Sindical Internacional (ITUC, na sigla em inglês) por uma década e faleceu em 2019, após uma dura batalha contra o câncer.

A OIT, idealizadora do prêmio, é uma agência multilateral da Organização das Nações Unidas (ONU) que tem com foco a regulação do trabalho, a partir do cumprimento de convenções e recomendações internacionais.

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