Política

Bolsonaro chega a dois anos sem partido e tenta selar filiação ao PP após fracassos

Por Notícias Ao Minuto

13/10/2021 às 14:00:22 - Atualizado h√°
Notícias Ao Minuto

Nesses quase 24 meses, o presidente e seus aliados fracassaram na tentativa de criar do zero uma legenda, a Aliança pelo Brasil, e foram estopim de rachas internos em partidos com os quais negociaram ingresso. Segundo dirigentes do PP, basta Bolsonaro bater o martelo para se filiar.

O centr√£o, outrora execrado por Bolsonaro e seus aliados, é hoje a base de sustenta√ß√£o pol√≠tica do governo no Congresso. Na linha de frente dessa alian√ßa est√£o o presidente do PP e ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o presidente da C√Ęmara, Arthur Lira (AL).

Hoje, calculam integrantes da c√ļpula do PP, 90% dos diretórios estaduais da sigla concordam em receber Bolsonaro. A maior resist√™ncia est√° no Nordeste, principalmente na Para√≠ba, em Pernambuco e na Bahia. Mesmo assim, segundo Ciro Nogueira relatou em conversas reservadas, isso n√£o é mais um entrave.

O próprio Lira, que temia que a entrada de Bolsonaro pudesse atrapalhar sua tentativa de reelei√ß√£o no comando dos deputados em 2022, j√° aceitou a migra√ß√£o do presidente.

Em troca da filiação, Bolsonaro teria o direito de escolher os candidatos ao Senado de estados considerados chave, como mostrou a Folha nesta semana.

Além de comandar a C√Ęmara, o PP tem a quarta maior bancada da Casa, com 42 deputados. Também tem a quarta maior bancada do Senado, com 7 parlamentares.

Antes de avan√ßar nas conversas com o PP, porém, Bolsonaro e seus articuladores negociaram o ingresso em v√°rias outras legendas, como os nanicos PRTB e Patriota, e o PTB de Roberto Jefferson, hoje preso no bojo das investiga√ß√Ķes sobre suposta organiza√ß√£o criminosa digital voltada a atacar as institui√ß√Ķes e a democracia.

Tanto no PTB quanto no Patriota, a possibilidade de filiação de Bolsonaro e dos bolsonaristas acentuou crises internas.

O PTB, que com a pris√£o de seu presidente est√° interinamente sob o comando de Graciela Nienov, anunciou que ir√° expulsar Cristiane Brasil, filha de Jefferson, em meio a troca de acusa√ß√Ķes de interfer√™ncias nas negocia√ß√Ķes para o ingresso de Bolsonaro.
No Patriota, o ent√£o presidente da legenda nanica, Adilson Barroso, um entusiasta da filia√ß√£o de Bolsonaro, foi defenestrado do comando durante uma confusa realiza√ß√£o de reuni√Ķes para tentar aprovar a entrada do presidente.

O senador Fl√°vio Bolsonaro (RJ) chegou a se filiar à legenda, mas também deve sair.

"Na verdade, o movimento feito pelo ex-presidente do partido foi através de a√ß√Ķes irregulares, raz√£o pela qual n√£o concordamos e tomamos as medidas judiciais cab√≠veis, que culminou com o seu afastamento definitivo do cargo", disse Ovasco Resende, que assumiu o posto de Barroso.

"O partido continua trabalhando para cumprir o seu principal objetivo, que é ultrapassar a cl√°usula de barreira [que retira verba de siglas com poucos votos nas elei√ß√Ķes], agindo de forma democr√°tica", disse Ovasco Resende, que assumiu o posto de Barroso", completou.

A Folha de S.Paulo n√£o conseguiu falar com o ex-presidente do Patriota.

O plano A de Bolsonaro era criar um partido no qual tivesse total comando.

Para isso, deu largada em novembro de 2019 ao Aliança pelo Brasil, em um evento em Brasília ao qual compareceu sob gritos de "mito" e ao lado da primeira-dama, Michelle, e de três de seus cinco filhos: o deputado federal Eduardo (PSL-SP), o senador Flávio e Jair Renan, iniciante na vida política.

Quase dois anos depois, porém, o projeto se mostrou um fiasco.

A expectativa anunciada em 2019 era a de que o partido bolsonarista fosse criado a tempo de disputar as elei√ß√Ķes municipais de 2020, objetivo logo abandonado. A esse revés inicial se somou a chegada da pandemia, o que dificultou ainda mais a coleta de apoio.

O empres√°rio Lu√≠s Felipe Belmonte é vice-presidente da legenda em forma√ß√£o, mas, na pr√°tica, é o principal respons√°vel por ela. O presidente formal é Bolsonaro, que h√° tempos abandonou qualquer articula√ß√£o efetiva em prol do partido. O outro vice é Fl√°vio Bolsonaro.

"Enquanto estiver no prazo, vamos continuar trabalhando. Só vou falar que n√£o deu depois que n√£o der, mas, por enquanto, estou achando que d√°", diz Belmonte.

Em seis meses, o Alian√ßa tem que conseguir completar nos cartórios eleitorais a valida√ß√£o da assinatura de 492 mil eleitores para pedir seu registro ao Tribunal Superior Eleitoral. Em quase dois anos de recolhimento de apoio, porém, só conseguiu 140 mil fichas consideradas aptas.

Bolsonaro j√° passou formalmente por oito agremia√ß√Ķes desde que se elegeu vereador, em 1988, e durante seus sete mandatos como deputado Federal.

O n√ļmero é inflado, porém, pela constante altera√ß√£o de nomenclatura e fus√Ķes na sopa de letras que forma o quadro partid√°rio brasileiro desde a redemocratiza√ß√£o.

A origem da maior parte das siglas de Bolsonaro está na Arena, partido de sustentação do regime militar (1964-1985).

Sua elei√ß√£o para vereador se deu pelo PDC, partido que depois se fundiria ao PDS, herdeiro direto da Arena, formando o PPR. Algumas fus√Ķes e mudan√ßas de nomenclaturas depois levaram a sigla a desembocar no PP dos dias atuais.

Bolsonaro ainda teve breve passagens pelo PFL (que depois virou DEM e deve se transformar agora em Uni√£o Brasil, após a fus√£o com o PSL) e PTB, voltando ao PP em 2005, onde ficou por cerca de 10 anos.

Em 2016 migrou para o nanico PSC na expectativa de se lan√ßar candidato a presidente. Sem apoio pol√≠tico interno, porém, saiu novamente e, após negociar com outras siglas, se filiou ao ent√£o nanico PSL.

Descontadas as fus√Ķes e troca de nomes, Bolsonaro esteve filiado em toda a sua carreira a cinco partidos diferentes: PP e suas varia√ß√Ķes, PFL, PTB, PSC e PSL.

A sopa de letrinhas da vida partid√°ria de Bolsonaro

1988 - É eleito vereador, aos 33 anos

PDC (Partido Democrata Crist√£o) - sigla acabaria se fundindo em 1993 com o PDS de Paulo Maluf

1993 - Em seu primeiro mandato como deputado federal noPPR (Partido Progressista Reformador) - sigla surge da fusão do partido de Bolsonaro, o PDC, com o PDS, comandado por Maluf e principal herdeiro da Arena, o partido de sustentação do regime militar (1964-1985)

1995 - Em seu segundo mandato como deputado federal no PPB (Partido Progressista Brasileiro) -sigla nasce da fusão do partido de Bolsonaro, o PPR, com o PP (Partido Progressista), de breve existência -havia sido criado dois anos antes a partir da fusão de PTR (Partido Trabalhista Renovador) e PST (Partido Social Trabalhista)

2003 - Em seu quarto mandato como deputado federal no PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) - Deixa o PPB para se filiar ao PTB de Roberto Jefferson. Ficaria na sigla por cerca de dois anos

2005 - Em seu quarto mandato como deputado federal no PFL (Partido da Frente Liberal) - tem breve passagem pelo partido presidido à época por Jorge Bornhausen. A sigla depois virou DEM e, agora, aprovou sua fus√£o ao PSL para virar Uni√£o Brasil PP (Partido Progressista) - volta à sigla (que em 2003 mudou o nome de PPB para PP) pela qual, com outro nome, iniciou sua carreira pol√≠tica.

2016 - Em seu sétimo mandato consecutivo como deputado federal no PSC (Partido Social Crist√£o) - filia-se à sigla nanica j√° com o objetivo de disputar a Presid√™ncia da Rep√ļblica

2018 - Candidato à Presid√™ncia da Rep√ļblica no PSL (Partido Social Liberal) - depois de romper com o PSC e fracassar entendimentos para ingresso em siglas como o Patriota, se filia ao partido de Luciano Bivar, com quem também rompeu após a elei√ß√£o

2019 - Presidente da Rep√ļblica - Alian√ßa pelo Brasil (em montagem) - após romper com o PSL, anuncia a cria√ß√£o do Alian√ßa pelo Brasil. O projeto, porém, até hoje n√£o obteve apoio popular suficiente para sair do papel

2021 - Pré-candidato à reelei√ß√£o à Presid√™ncia da Rep√ļblica

Fonte: Notícias Ao Minuto
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