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Paraisópolis, 2ª maior comunidade de SP, completa 100 anos com festa e campanha de arrecadação

Por Da Redação

16/09/2021 às 10:58:42 - Atualizado há
Região surgiu em 16 de setembro 1921 com ocupações em lotes abandonados no Morumbi, Zona Sul da capital paulista. Atualmente, 100 mil pessoas moram na favela, que celebra 1 século de história. Paraisópolis, a segunda maior comunidade da cidade de São Paulo, completa 100 anos nesta quinta-feira (16).

Paraisópolis, que atualmente é a quinta maior favela do Brasil, surgiu em 16 de setembro, como um loteamento na região do Morumbi. Heliópólis, também na Zona Sul, é considerada a maior comunidade da capital paulista.

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Para comemorar um século de existência, a favela, que fica na Zona Sul da capital paulista, vai oferecer atividades gratuitas durante uma semana para mostrar as suas diversidades (confira a programação abaixo).

O Pavilhão Social G10 Favelas de Paraisópolis, na Rua Itamotinga, 100, reúne a partir desta quinta até o dia 25 uma série de atividades para o início das comemorações. Serão realizadas ações para mostrar a diversidade da comunidade, seja na área da cultura, do empreendedorismo, do esporte, da moda, da gastronomia, entre outras iniciativas.

Destaques e campanha

Parte interna do Parque Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, ainda em fase de obras.

Reprodução/SMVA/PMSP

Entre os destaques da programação, estão o Projeto Favelas do Brincar, o espaço de recreação para as crianças, e a campanha “Um Presente para Paraisópolis” para arrecadar alimentos e brinquedos para famílias da comunidade.

“A grande celebração é ajudar. Nós estamos nesse momento buscando apoio para que a gente consiga ajudar as pessoas no combate à fome e a má nutrição, e também doando presentes para Paraisópolis”, disse Gilson Rodrigues, presidente da União dos Moradores de Paraisópolis.

“É uma festa de comemoração desses 100 anos de luta, mas também temos muitos desafios para o próximo período, que são: retomada das obras de urbanização, melhoria da questão de educação, abertura do Parque Paraisópolis. São muitos desafios que queremos para os próximos 100 anos”, falou Gilson.

Programação

Vista da comunidade de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, considerada uma das maiores favelas da América Latina.

VAN CAMPOS/ESTADÃO CONTEÚDO

A solenidade de abertura aconteceu nesta quinta, com direito ao tradicional “parabéns” e bolo feito pelas mulheres do Mãos de Maria Brasil, além de contar com a presença de figuras do poder público, além de celebridades, lideranças comunitárias e parceiros.

Na programação do primeiro dia do evento inclui a exposição “Memórias — Reflexos do Inevitável”, que conta com a parceria do projeto Através do Vidro, a inauguração do projeto Favelas do Brincar, desfile com as mulheres da AMP (Associação de Mulheres de

Paraisópolis), em parceria com a Costurando Sonhos Brasil, a Camisaria do Bem, a Emprega Comunidades e a Escola Belezinha, que realizará uma oficina com o cabeleireiro Rodrigo Cintra.

Na sexta-feira (17), segundo dia de evento, haverá o anúncio da parceria entre Favela Brasil Xpress e Total Express que realizará transporte aéreo de produtos e doações para todo o Brasil.

No sábado (18) acontece a retomada da famosa Feijoada das Marias, com samba na laje e com o roteiro turístico, Paraisópolis das Artes, seguindo todas as orientações de prevenção ao coronavírus (Covid-19) divulgadas pelos órgãos de saúde.

Favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, e prédios do bairro do Morumbi atrás

Fabio Tito/G1

No domingo (19) será lançada a Feira AgroFavela-Refazenda que contará com oficinas de plantio de hortaliças, venda de produtos da horta e o lançamento do e-book “Comida Saudável”.

E para dar seguimento às comemorações, na segunda-feira (20), será realizado o Primeiro Encontro de Revendedoras das Favelas, uma iniciativa da Academia de Revendedoras Galáxia em parceria com o G10 Bank.

O encerramento da 13ª Semana de Paraisópolis, será no dia 25, e ficará a cargo do Favela Music Brasil que fará uma live especial, com apresentação de convidados como os Trovadores Urbanos, Orquestra Filarmônica de Paraisópolis e Grupo de Teatro de Paraisópolis.

Neste mês de setembro, a comunidade promove a campanha “Um Presente para Paraisópolis” com objetivo de arrecadar fundos para compra de alimentos e brinquedos para famílias que moram na favela. Para obter mais informações, acesse o site da campanha.

1 século de história

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Segundo a União dos Moradores de Paraisópolis, a história da favela começa no ano de 1921. A área em que atualmente está situada a favela fazia parte da Fazenda do Morumbi, parcelada em 2.200 lotes pela União Mútua Companhia Construtora e Crédito Popular S.A.

A infraestrutura do loteamento não foi completamente implantada e muitas pessoas que adquiriram os lotes nunca tomaram posse efetiva, nem pagaram os tributos devidos. Com isso, eles foram abandonados. Dessa forma, tornaram-se um convite para a ocupação informal.

Esse processo começou por volta de 1950, protagonizado principalmente por famílias que a transformaram em pequenas chácaras, além de atuarem como grileiros.

Os anos 1960 vão encontrar essa região com roças e gado bovino. Havia poucas casas e alguns bares, porém com a implantação de bairros de alto padrão como o Morumbi, os cemitérios Gethsemani e Morumbi, e a abertura de vias de acesso, como a Avenida Giovanni Gronchi, a região passou a ser objeto de grande valorização, despertando o interesse econômico.

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Tuca Vieira via BBC

Nessa mesma década, foi elaborado o primeiro Plano de Desenvolvimento Integrado de Santo Amaro, que propunha a declaração da área como utilidade pública, visando uma posterior urbanização. Mas essa ideia não prosperou.

Em 1970 surgiram os primeiros barracos de madeira, ocasião em que se iniciou a ocupação do Jardim Colombo e Porto Seguro, vizinhas a Paraisópolis.

Ainda nos anos 1970, ficou definido pelo poder público que a ocupação ficaria restrita à habitação unifamiliar e de uso misto, criando condições para implantação de um plano especial de ocupação a ser elaborado em 5 anos.

Novamente as ações não se concretizaram e entre 1974 e 1980 intensificou-se o processo de ocupação da região. O crescimento do processo migratório acelerou-se ainda mais a partir de 1980.

Entre as diversas causas, a facilidade de emprego pelo crescimento acentuado dessa região, principalmente com a demanda crescente de trabalhadores para a construção civil.

Ao contrário de muitas favelas de SP, Paraisópolis não fica na periferia, mas ao lado de áreas consideradas nobres

BBC NEWS BRASIL

Perfil de Paraisópolis

Cerca de 100 mil habitantes

85% nordestinos

13 escolas públicas (estaduais e municipais)

1 Centro Educacional Unificado (CEU)

1 Escola Técnica (ETEC)

3 Unidades básicas de Saúde

1 Assistência Médica Ambulatorial (AMA )

4 Agências Bancárias

658 presidentes de rua

31. 400 pessoas cadastradas no Emprega Comunidades

1.500 empregos formais;

Potencial de consumo: R$ 578 Mi;

Lanchonetes representam 26%; Lojas de Roupa 15%; Mercados e Supermercados 14% e Salões de Beleza 13%;

72% formalizados como MEI;

1 Agência de Empregos

1 Agência de Comunicação da Favela

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Fonte: G1
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