Política

General Ramos resiste a entregar Casa Civil a líder do centrão às vésperas de reforma ministerial de Bolsonaro

Por Banda B

26/07/2021 às 21:06:31 - Atualizado h√°

O ministro da Casa Civil, general Luiz Eduardo Ramos, resiste a entregar o cargo ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), l√≠der do centr√£o, e busca convencer o presidente Jair Bolsonaro a preserv√°-lo na fun√ß√£o. O esfor√ßo, porém, deve ser em v√£o, segundo auxiliares e aliados do mandat√°rio.

Até a noite desta segunda-feira (26), a previs√£o era que Ciro Nogueira seria o substituto de Ramos no ministério mais prestigioso da Esplanada.

O senador tem prevista uma reuni√£o com Bolsonaro na manh√£ desta ter√ßa-feira (27) para definir os detalhes da nomea√ß√£o no ministério.

Pelo desenho definido até aqui, a reforma ministerial envolve trocas em tr√™s pastas: o senador pelo Piau√≠ e presidente do PP vai para a Casa Civil no lugar de Ramos, que deve passar para a Secretaria-Geral da Presid√™ncia -ocupada hoje por Onyx Lorenzoni.

J√° Onyx deve ser titular do Ministério do Emprego e Previd√™ncia, a ser recriado com o desmembramento do Ministério da Economia.

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Procurado, Ramos negou, por meio de sua assessoria, estar atuando para ficar no posto.

O convite de Bolsonaro para que Ciro Nogueira v√° para a principal pasta do Pal√°cio do Planalto é a jogada mais robusta que o presidente fez até aqui para assegurar o apoio de partidos e da base de congressistas ao seu governo.

Parlamentares, sobretudo os do centrão, vinham pressionando pela saída de Ramos da Casa Civil.

A avalia√ß√£o é que o general n√£o tem traquejo pol√≠tico, falha na articula√ß√£o com o Legislativo e breca demandas de senadores e deputados, como a libera√ß√£o de emendas.

H√° ainda a constata√ß√£o de que, com a proximidade das elei√ß√Ķes de 2022, é preciso ter alguém na Casa Civil que saiba dar visibilidade aos feitos do governo.

Aliados também esperam que Ciro Nogueira costure as alian√ßas pol√≠ticas necess√°rias para a campanha de reelei√ß√£o de Bolsonaro.

A prioridade para articuladores pol√≠ticos e dirigentes de siglas que hoje pretendem apoiar a campanha à reelei√ß√£o de Bolsonaro é a reformula√ß√£o do Bolsa Fam√≠lia e outras medidas que impulsionem a recupera√ß√£o da economia em 2022, após a vacina√ß√£o da popula√ß√£o contra a Covid-19.

A aposta é que, com um programa de forte apelo popular e uma economia aquecida, o presidente deve conseguir recuperar a popularidade.

Atualmente, pesquisas indicam aumento na reprova√ß√£o do governo e favoritismo do ex-presidente Luiz In√°cio Lula da Silva (PT) para o pleito do próximo ano.

Apesar das fortes press√Ķes, Bolsonaro resistia a tirar Ramos da Casa Civil por ser seu amigo de longa data. Diante da performance negativa em pesquisas e do aumento da insatisfa√ß√£o de l√≠deres do centr√£o com o governo, entre eles Ciro, o presidente resolveu ceder.

Ramos foi pego de surpresa com a decis√£o, tornada p√ļblica na semana passada, e iniciou um movimento para tentar se segurar no cargo.

A justificativa dada por ele é que a Casa Civil funciona como uma espécie de coordenadora da Esplanada e n√£o trata apenas da articula√ß√£o pol√≠tica.

De acordo com interlocutores, Ramos alegou que o ideal é Ciro ser acomodado em outro ministério para conseguir focar no atendimento aos congressistas.

Segundo dois ministros e outros aliados de Bolsonaro no Congresso ouvidos pela reportagem, a ofensiva de Ramos n√£o funcionou.

Nesta segunda, Bolsonaro defendeu a nomea√ß√£o de Ciro para a Casa Civil e chegou a minimizar a import√Ęncia da pasta –embora ela seja o n√ļcleo de coordena√ß√£o do governo.

"Os ministérios mais importantes continuam por critério técnico. Tem uma possibilidade agora de o Ciro Nogueira assumir o Ministério da Casa Civil. A Casa Civil n√£o tem or√ßamento em suas m√£os. Ela faz a articula√ß√£o com o Parlamento", disse o presidente, em entrevista à r√°dio Arapuan FM, de Jo√£o Pessoa.

"E nós acreditamos que um pol√≠tico, no caso um senador, poderia fazer essa articula√ß√£o com o Parlamento. Por isso essa aproxima√ß√£o com o Ciro Nogueira, que é de um partido de centro", afirmou.

Bolsonaro também rebateu cr√≠ticas por ter escolhido para a Casa Civil um congressista que responde a inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal).

"Se eu afastar do meu conv√≠vio parlamentares que s√£o réus ou que respondem a inquéritos, eu perco quase metade do Parlamento", disse. Em seguida, Bolsonaro lembrou que ele mesmo é réu no Supremo por apologia do crime de estupro contra a deputada federal Maria do Ros√°rio (PT-RS).

"Ent√£o eu n√£o devia estar aqui também. Eu acho que todos nós só somos culpados depois de a senten√ßa transitar em julgado. Ent√£o se o Ciro ou qualquer outro ministro meu for julgado e condenado, obviamente se afasta do governo. Mas no momento é o que eu tenho para trabalhar aqui em Bras√≠lia."

A ida de Ciro para a Casa Civil e o desmembramento da Economia n√£o s√£o os √ļnicos flancos da investida do centr√£o sobre o governo.

Congressistas continuam pressionando o Planalto para recriar o Ministério do Planejamento, cujas fun√ß√Ķes est√£o hoje dentro da Economia e envolvem o controle do Or√ßamento federal.

O centr√£o avalia que o titular da Economia, Paulo Guedes, acumulou muitas atribui√ß√Ķes. Além disso, h√° um desgaste na rela√ß√£o do Congresso com o ministro, principalmente em rela√ß√£o ao or√ßamento, como volume de emendas.

Bolsonaro est√° no momento mais fragilizado do seu governo até aqui. Em meio à pandemia do novo coronav√≠rus e suspeitas de corrup√ß√£o em negocia√ß√Ķes de vacinas contra a Covid, o presidente e seu governo v√™m assistindo a uma escalada de impopularidade.

O ex-presidente Lula, hoje seu principal advers√°rio, ampliou vantagem nas inten√ß√Ķes de voto para 2022 e cravou 58% a 31% no segundo turno, apontou a pesquisa mais recente do Datafolha.

Ainda de acordo com a pesquisa, 59% dos eleitores dizem que n√£o votam de jeito nenhum no atual presidente –esse √≠ndice era de 54% no levantamento anterior, feito em 11 e 12 de maio.

Ao trazer Ciro para o cora√ß√£o do governo, Bolsonaro sela seu casamento com o centr√£o –grupo de legendas fisiológicas que, na campanha eleitoral de 2018, eram frequentemente criticadas pelo ent√£o candidato a presidente.

Fonte: Banda B
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