13/01/2020 às 14h54min - Atualizada em 13/01/2020 às 14h54min

Deputado de Santa Catarina diz que assédio é "direito" e "massageia o ego" das mulheres

Dagmara Spautz
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Foto: Solon Soares/Agência AL

O deputado estadual de Santa Catarina Jessé Lopes (PSL) envolveu-se em uma nova polêmica no fim de semana. Ao criticar ação do coletivo feminista "Não é Não!", que pela primeira vez atuará em Florianópolis, no próximo Carnaval, Jessé disse que o assédio "massageia o ego".

O deputado afirmou, ainda, que ser assediada é um "direito" da mulher, e que ações de combate são "inveja de mulheres frustradas por não serem assediadas nem em frente a uma construção civil".

O coletivo feminista pretende distribuir tatuagens temporárias com um recado simples, mas bastante claro: Não é Não!. A ideia é combater as situações de assédio a que mulheres estão expostas. O grupo está em busca de recursos, com ajuda de doações, até o dia 16 de janeiro, por meio de uma plataforma online.

O texto do deputado foi publicado na manhã de sábado (11) e tinha mais de mil comentários até domingo à noite. A versão original da postagem foi alterada, e o parlamentar acrescentou que se referia a "ser paquerada, procurada, elogiada".

Internauta exposta

Em um dos comentários, uma jovem afirmou: "Eu só consigo sentir muito por todas as pessoas que foram assediadas, e leram esse texto. Queria que fosse uma sátira apenas".

Em resposta, o deputado buscou nas redes sociais da garota uma foto em que ela aparecia com uma roupa decotada, e escreveu: "Nesta foto, não parece que você está muito preocupada com assédio. Inclusive, você é muito bonita. Parabéns".

A discussão ganhou nova repercussão, e a jovem, que não quer ser identificada, disse que recebeu uma série de ataques em sua página pessoal.

No post do deputado, o assunto levou muitos internautas a apoiarem a garota e a acusarem Jessé de importunação e assédio. O parlamentar acabou apagando as mensagens em que expôs a garota. Ela disse, neste domingo, que não quer levar o caso adiante.

— Muitos advogados me procuraram dizendo que poderiam me auxiliar e até mesmo representar sem custo, mas eu não quero me envolver mais. Eu me sinto muito mal com esse tipo de coisa e não acho que tenha emocional o suficiente pra isso. Até mesmo pedi respeito para aqueles que estava xingando o deputado. Não acho que é assim que se resolve as coisas.

Quanto à publicação de sua imagem por Jessé, a jovem diz que achou a atitude "esdrúxula".

— Não pelo "suposto assédio", mas por ter deduzido que com minha roupa, naquela foto, eu estava propícia ou "pedindo" para ser assediada.

O que diz o deputado

Em entrevista à coluna, na noite deste domingo (12), Jessé Lopes disse que fez as afirmações na rede social porque mulheres feministas dão "sentido errado e extremista" ao assédio. Em relação à internauta, afirmou que quis "mostrar que estava certo". A conversa ocorreu por meio de mensagens no celular.

O que o senhor mudou em relação à primeira postagem?

Uma das principais mudanças foi que coloquei o assédio entre aspas, “assédio”. Exatamente por me referir a ele com mesma conotação que muitas delas dão, de forma generalizada, para qualquer ato de investida do homem. Assédio, como crime, não acontece no carnaval.... é uma perseguição de dias, uma importunação da pessoa.

O senhor afirma "quem, seja homem ou mulher, não gosta de ser “assediado(a)”. Mas hoje temos o crime de importunação sexual previsto em lei. As críticas afirmam que seu posicionamento naturaliza um comportamento criminalizado. O que o senhor tem a dizer a respeito?

Eu coloquei entre aspas porque, como falei, muitas dentro do movimento dão o sentido errado e extremista do que é assédio.

Há uma situação específica, em relação ao comentário de uma usuária da rede social, em que acusam o senhor de ter feito um comentário com conteúdo de assédio. O que o senhor diz sobre isso?

Apenas chamei ela de bonita. Exatamente para ver este tipo de reação e mostrar que eu estou certo. Ela comentou em meu texto, se mostrando muito horrorizada. Percebi o tipo de roupa que ela estava usando e entrei no perfil dela e dei print de uma das fotos, onde ela estava sensualizando.

Antes que me pergunte, não, não acho que ela mereça ser assediada por causa da roupa. Mas vai chamar a atenção gente inoportuna, mal educada... Assim como ninguém tem o direito de roubar o meu carro só porque deixei a porta do carro aberta. Mas mesmo assim não corro o risco deixando a porta do carro aberta, só porque ninguém tem o direito de roubá-la. Prevenção é importante. Adesivo ou tatoo não vai ajudar ninguém a se proteger de marginal.

Polêmicas recorrentes

Esta não é a primeira vez que Jessé Lopes se envolve em polêmicas em relação a mulheres. No dia 10 de dezembro, provocou uma nota pública da Bancada Feminina da Assembleia Legislativa, depois de publicar uma lista de “conselhos” que atribuiu a feministas para evitar estupros: deixar os pelos do corpo crescerem, pintar e cortar o cabelo “todo errado”, vestir-se mal, não ir à academia. “Resolvido, agora nem mendigo te olha”.



Em maio, a discussão sobre um projeto de lei de combate ao assédio sexual e à cultura do estupro, na Alesc, levou o deputado Jessé Lopes a afirmar, em plenário, que mulheres deveriam prestar atenção às roupas que usam para não chamarem atenção de estupradores.

— Se quer andar na rua com sua sainha, com seu shortinho, com seu decote, ótimo. Se você quer chamar atenção de estupradores, sabe os riscos que está correndo — afirmou.

Nota da Blogueira: Tem mediocridade em todos os setores da sociedade. Lamentável que ainda existam pessoas que defendam comportamento asqueiroso de pseudos seres do sexo masculino que ainda acham que a mulher é objeto. Esses seres deveriam olhar para suas mães com desejo e deveriam estar presos por comportamento excessivo, machista e ultrapassado. Uma sociedade legítima valoriza os seus - sejam mulheres, negros, índios, pobres ou não. Chega de aturarmos a cultura do machismo e acharmos normal o comportamento animal dos que acham que precisam ser garanhões para encantar uma parcela masculina da sociedade. Para mim, são reprimidos e tentam esconder no armário a própria inutilidade e a falta de caráter.

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