07/11/2019 às 13h14min - Atualizada em 07/11/2019 às 13h14min

Bolsonaro dá 1 declaração falsa ou imprecisa a cada 4 dias; veja o Bolsonômetro

Ferramenta reúne afirmações do presidente checadas e contextualizadas pela Folha desde o início do mandato

Guilherme Magalhães e Rodrigo Borges Delfim - Emanuelle Deise
Folha de São Paulo
Pedro Ladeira
O presidente Jair Bolsonaro dá ao menos 1 declaração falsa ou imprecisa a cada 4 dias. É o que aponta o Bolsonômetro, ferramenta que reúne afirmações do presidente checadas e contextualizadas pela Folha, lançada nesta quarta-feira (6). Leia aqui as afirmações checadas pelo Bolsonômetro. De início, foram checadas 86 declarações de Bolsonaro, feitas em postagens em redes sociais, transmissões ao vivo, entrevistas e discursos desde 1º de janeiro, quando tomou posse. Cada afirmação considerada falsa ou imprecisa foi contextualizada e, com base em reportagens da Folha e em estatísticas, foi classificada em um desses dois grupos. Se imprecisa, recebe o selo "Não é bem assim".
A ferramenta, que será atualizada constantemente a partir de agora, também apresenta um gráfico com o acumulado diário e mensal de afirmações falsas e imprecisas de Bolsonaro. Nesta quarta-feira, por exemplo, o presidente escreveu em rede social que três empresas fechariam suas fábricas na Argentina e se instalariam no Brasil, insinuando que o motivo seria a vitória do kirchnerismo na eleição presidencial argentina, em outubro — Bolsonaro é crítico da ex-presidente e agora vice eleita, Cristina Kirchner. Uma hora depois, o presidente apagou a postagem. As empresas negaram a informação. Na semana passada, durante entrevista à TV Bandeirantes, Bolsonaro mencionou um café da manhã em que recebeu a Folha no Palácio da Alvorada, em 3 de setembro. "Conversei com eles numa boa e, no dia seguinte, foi um festival de desinformação. Eu até fui criticado por assessores meus, e com razão. Por que falou com a Folha? Eu fui tentar dar uma chance pra eles. Não saiu nada do que eu falei. Só saiu desinformação. E algumas palavras que eu usei ali e falei: 'Isso aqui é palavrão, segura a onda, escorreguei'. Saiu palavrão [na entrevista], saiu tudo lá. Não dá pra gente confiar, por exemplo, na Folha de S.Paulo", afirmou o presidente. Durante a entrevista, o presidente autorizou que todo o teor da conversa fosse publicado, com exceção dos palavrões ditos por ele no café da manhã, o que foi respeitado pela Folha. Bolsonaro também não havia reclamado de distorções no conteúdo das declarações quando a reportagem foi publicada. Com uma média de 8,6 declarações falsas ou imprecisas por mês desde que assumiu o governo, Bolsonaro acumulou mais da metade dessas afirmações nos meses de agosto e setembro —cada um registrou 20. Em agosto, auge da crise provocada pelas queimadas na Amazônia, Bolsonaro se envolveu em polêmicas com o presidente da França, Emmanuel Macron, e foi alvo de críticas da comunidade internacional. O brasileiro afirmou, por exemplo, que "a floresta não está pegando fogo como o pessoal está dizendo" e que o "clima seco e os ventos favorecem queimadas espontâneas e criminosas". O número de incêndios registrados entre janeiro e agosto deste ano foi o maior em nove anos, enquanto a estiagem foi mais branda do que em anos anteriores. Análise do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) apontou que os focos estavam concentrados em áreas desmatadas. 07/11/2019 Bolsonaro dá 1 declaração falsa ou imprecisa a cada 4 dias; veja o Bolsonômetro - 06/11/2019 - Poder - 4/5 Pesquisadores da Nasa (agência espacial americana) que monitoram queimadas no planeta afirmaram que os principais focos de calor detectados por satélites sobre a América do Sul estão relacionados ao corte raso de floresta na região amazônica. No mês seguinte, ao discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU, Bolsonaro voltou a emitir declarações que não se corroboram. O dia do discurso, 24 de setembro, foi o que registrou o maior número até agora de declarações dessa natureza: 11. O presidente afirmou, por exemplo, que o governo brasileiro tem "política de tolerância zero para com a criminalidade, aí incluídos os crimes ambientais". Bolsonaro, no entanto, tem questionado dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que apontam aumento do desmatamento. Na ONU, o presidente também reafirmou o compromisso do Brasil "com os mais altos padrões de direitos humanos, com a defesa da democracia e da liberdade, de expressão, religiosa e de imprensa". Ele, no entanto, defende a ditadura militar (1964-1985), elogiou diversas vezes o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, condenado por tortura, e acusa a imprensa de persegui-lo. Para o cientista político Carlos Melo, professor do Insper, o presidente "se preocupa em falar com o eleitor dele, com as redes sociais dele, e fala o que esse eleitor quer ouvir. Evidentemente nem sempre o que as pessoas querem ouvir é a verdade". A mais recente pesquisa Datafolha sobre a avaliação do governo apontou que 44% da população diz nunca confiar nas declarações de Bolsonaro, 36% afirmam que confia às vezes, e 19% confiam sempre. O levantamento ouviu 2.878 pessoas nos dias 29 e 30 de agosto em 175 municípios. As afirmações falsas ou imprecisas do presidente foram separadas em 19 categorias, que vão desde saúde e educação até imprensa e questão indígena, 07/11/2019 Bolsonaro dá 1 declaração falsa ou imprecisa a cada 4 dias; É possível visualizar todas em uma mesma tela ou filtrá-las de acordo com a categoria e o status —"Falso" e "Não é bem assim"
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