Tráfico sexual de adolescentes tem 241 rotas

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada no Congresso Nacional com a finalidade de investigar as situações de violência e redes de exploração sexual de crianças e adolescentes divulgou ontem o relatório final que aponta a existência de 241 rotas terrestres, marítimas e aéreas para levar mulheres, crianças e adolescentes brasileiros para o exterior. A Região Sul concentra 28 rotas. As principais delas são: Uruguaiana (RS)-Argentina e Foz do Iguaçu-Curitiba-São Paulo-Argentina-Paraguai. Pontos da BR-277, em direção a Foz do Iguaçu, foram identificados como sendo rota de narcotráfico com a finalidade de exploração sexual de crianças e adolescentes.

O relatório revela que várias atividades comerciais lícitas têm ganhos financeiros diretos ou indiretos com o crime contra jovens. São desde bares, boates e hotéis até motéis, taxistas, postos de gasolina e agências de modelo. Policiais e fiscais colaboram para a prática da exploração sexual e comercial contra crianças e adolescentes. ”Onde a exploração sexual comercial está presente, formam-se redes que alimentam e mantêm essa atividade ilegal e desumana”.

Essa rede envolve, por exemplo, o agenciador que aborda a adolescente e os taxistas que conduzem as meninas a determinados hotéis ou motéis; os restaurantes e bares que permitem a presença de crianças e adolescentes prostituídos e tornam-se atrativos para certo tipo de clientes; o policial e o segurança que ajudam a encobrir essa prática; o guia turístico, o garçom ou o funcionário de hotel que indica contatos para que haja a exploração sexual; o cartório e o sistema de identificação das secretarias de Segurança para a falsificação de documentos”, denunciou a deputada federal Maria do Rosário (PT-SP), relatora da CPMI.

O sul do Brasil se destaca no tráfico interestadual e internacional para fins sexuais. Apesar de não ter nenhum paranaense na CPMI, a comissão precisou vir ao Paraná em duas oportunidades: dia 2 de outubro do ano passado (quando foram feitas diligências em Foz do Iguaçu) e 9 de outubro (quando foram realizadas audiências públicas. Dos casos detectados no Estado, 43% se referem a tráfico para fins sexuais, 23% turismo sexual, 15% abuso ou violência sexual, 13% pornografia e pedofilia e 6% prostituição).

Na passagem por Foz, a CPMI encontrou uma pensão com moças que escondia uma rede de exploração sexual de adolescentes. Em 18 de junho de 2003, Arveni de Vargas, mais conhecida como ”Tia Carol” foi presa em flagrante por submeter quatro adolescentes com idades entre 16 e 17 anos à exploração sexual. Tia Carol foi apontada como agenciadora direta das adolescentes, muitas delas trazidas de cidades do interior. As adolescentes, segundo relato da CPMI, eram praticamente mantidas em cárcere privado, tendo horários rígidos de permanência na casa e de trabalho. Em caso de descumprimento das regras impostas pela dona da pensão deveriam pagar multa de R$ 50. Maria do Rosário tem a convicção que o esquema criminoso de turismo sexual tinha a conivência de autoridades locais e da polícia.

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