Traficante reconhece Paolicchi em fotos

O ex-secretário da Fazenda de Maringá, Luis Antônio Paolicchi, foi reconhecido ontem por fotografias pelo traficante José Maria Menezes Montalvão, preso em agosto do ano passado, em Maringá. Ele fez o reconhecimento à CPI Estadual do Narcotráfico. Em recente depoimento dado reservadamente à CPI, Montalvão teria contado que conheceu Paolicchi em viagens feitas para distribuição de drogas nas regiões Norte e Noroeste do Paraná. De acordo com as informações fornecidas à Folha, Montalvão acusa Paolicchi de facilitação do tráfico de drogas. Ele forneceria infra-estrutura para que os traficantes operassem na região, cedendo um helicóptero e um avião.

Montalvão, que foi preso portando pequena quantidade de cocaína, confessou à CPI que fazia o transporte de drogas para traficantes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Bolívia. Ele aponta o empresário Hissan Hussein Dehaine, de Araucária, como um dos principais traficantes do País, com conexão internacional. Paolicchi não foi liberado pela Justiça Federal para comparecer ontem à CPI do Narcotráfico.

O ex-secretário teria ainda uma estreita ligação com Hussein. O empresário, que nega as ligações, alega que viu Paolicchi apenas duas vezes. Uma em outubro do ano passado e outra no dia 23 de fevereiro. O empresário teria vendido um helicóptero para Paolicchi no dia 17 de outubro de 1999. Antes disso, eles teriam conversado por telefone por duas vezes. Como pagamento, ele teria recebido US$ 100 mil e um apartamento.

As informações contraditórias seriam confrontadas numa acareação marcada para às 10 horas de ontem, no plenarinho da Assembléia Legislativa. Mas a Justiça Federal não autorizou o depoimento, alegando motivos de segurança, já que a sessão seria aberta ao pública. ‘‘Ele não ter vindo apenas piora sua situação. Aqui poderia ser um palco para defesa dele. Agora, a Justiça Federal de Maringá terá que dar uma justificativa para a sociedade’’, declarou o relator da CPI, deputado estadual Ricardo Chab (PTB).

Anteontem, os deputados chegaram a afirmar que fariam o reconhecimento de Paolicchi por fotografias e uma acareação com Montalvão e o empresário. Mas eles dispensaram os depoimentos. ‘‘Não nos acrescentaria mais nada. Sabemos a versão dos dois’’, justificou o deputado estadual Algaci Tulio (PTB), presidente da CPI. Ele ficou bastante irritado com a ausência de Paolicchi. ‘‘Quem não deve, não teme. Por que ele não quis vir?’’, questionou.

Além de suposto envolvimento com o crime organizado, Paolicchi responde na Justiça comum pelo desvio de R$ 3,1 milhões da Prefeitura de Maringá. As contas do município estão sendo avaliadas pelo Tribunal de Contas, que já detectou um rombo de R$ 36 milhões. Mas os desvios podem chegar a R$ 100 milhões. Já na Justiça Federal, ele responde a ação criminal por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, sonegação de impostos e peculato.

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