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Sem reeleição, Beto se tornou alvo fácil

O ex-diretor de Engenharia da Secretaria de Estado da Educação (Seed) Maurício Fanini assinou os termos de um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público (MP) do Paraná. O diretor citou membros da cúpula política do Paraná no esquema investigado pela Operação Quadro Negro. Segundo as investigações, a Seed liberava o pagamento pelas obras em escolas estaduais a partir de medições fraudulentas, que apontavam que as construções estavam em estágios bem mais avançados do que efetivamente estavam. Pelo menos R$ 30 milhões teriam sido desviados dessa forma. E isso acontece porque todos imaginam que serão impunes…

Segundo a delação, o ex-governador Beto Richa (PSDB) teria interferido nas investigações da Quadro Negro ao pedir que Fanini apagasse mensagens e fotos que tinha com ele. Segundo o ex-diretor da Seed, o próprio Beto Richa teria dito que apagou conversas e imagens não só com Fanini, mas também com Luiz Abi, primo do tucano e com quem tinha diversas conversas políticas, principalmente em Londrina.

Mais uma interferência de Beto Richa teria sido realizada em outro caso. Segundo Fanini, ele teria nomeado Ezequias Moreira como secretário especial de Cerimonial e Relações Internacionais para protegê-lo da Justiça. Ezequias era acusado de desviar dinheiro da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Quem não lembra? Ele acabou condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ), mas não cumpriu pena porque o crime prescreveu.

O ex-governador também teria sido avisado da prisão de Luiz Abi na Operação Publicano, que investiga desvios na Receita Estadual. Beto Richa nega as acusações e esta blogueira está aberta para entrevista na íntegra sobre o tema. No entanto, quando a pessoa se cala basicamente dá vazão para as interpretações das mais diversas.

Esposa – O ex-governador teria pedido pessoalmente que Fanini arrecadasse dinheiro para a campanha de 2014 junto às empresas envolvidas no esquema. Segundo o ex-diretor, a prestação de contas sobre a propina arrecadada nos contratos da Seed era feita diretamente com o tucano. Outra parte dos recursos teria sido destinada a viagens realizadas por Beto Richa e sua mulher, Fernanda, com o ex-diretor e outros amigos.

Filhos – Um dos filhos do ex-governador, Marcello Richa (PSDB) também teria sido beneficiado pelo esquema – e não só com dinheiro para a campanha eleitoral. Segundo Fanini, ele teria recebido R$ 500 mil para a compra de um apartamento em Curitiba. O pedido do dinheiro teria sido intermediado por Luiz Abi, primo de Richa e citado em diversas investigações.

Viagens e pedidos absurdos – Fernanda Richa, de acordo com Fanini, teria proximidade com o ex-diretor e com a sua mulher, Betina. Em conversas de WhatsApp, Fernanda teria pedido dinheiro e agradecido pela liberação dos R$ 500 mil para a compra do apartamento para Marcello Richa. Além disso, a então primeira-dama teria pedido – e recebido – US$ 1 mil para uma viagem de outro filho do casal, André, para Machu Pichu, no Peru.

Parlamentares envolvidos – Deputados estaduais também estariam envolvidos no esquema. Na proposta de delação, Fanini citou o presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano (PSDB), que teria recebido R$ 250 mil de dois empreiteiros que prestaram serviços à Seed. A entrega do dinheiro teria sido feita na sede do PSDB estadual em 2014, no anúncio de Cida Borghetti (PP) como vice na chapa de Beto Richa. A grande vergonha é que o governador eleito Ratinho Junior pretende apoiar Ademar Traiano – envolvido até os dentes segundo as delações obtidas pelo MP – para presidente da Assembleia. Por que não pessoas com presente e passado íntegros? Ainda mais nessa fase social em que se fala tanto em lisura e cassação de corruptos. História para inglês ler?

Outros ainda – Outro deputado implicado por Fanini é Plauto Miró (DEM), primeiro-secretário da Alep, que teria tratado de aditivos em obras da Valor Construtora em 2014. Segundo o delator, o parlamentar teria dito que “havia disponibilidade” do Legislativo em economizar recursos para bancar os aditivos nas obras. Em nota, Plauto afirmou que a delação é inverídica e que nunca tinha tratado desses assuntos com qualquer pessoa. Ainda na Alep, o esquema teria beneficiado Tiago Amaral (PSB), filho do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE), Durval Amaral. Ele teria recebido R$ 50 mil para a campanha eleitoral de 2014 da Valor Construtora em caixa 2. Traiano e Plauto também teriam sido beneficiados, com R$ 400 mil e R$ 600 mil, respectivamente. O deputado federal não reeleito Valdir Rossoni (PSDB) também foi citado na delação. (Com informações da Tribuna do Paraná)

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About Luciana Pombo

Jornalista, teóloga, professora, amante do futebol, da poesia, da política, das coisas da vida! Com diversas premiações e moções parlamentares. Entre as principais premiações: Escritores da Liberdade, Top Master Estadual em Jornalismo, Fera Honorária (pela luta em prol da repressão ao uso de drogas e prevenção), Amiga da Criança, Dia do Radialista expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Dia da Mulher expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Diploma de Mérito Social.
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