Saudades, Brizola

São quase 15 anos sem Leonel de Moura Brizola, sem um líder capaz de mobilizar o Brasil, capaz de formar uma Cadeia da Legalidade e de paralisar uma Nação na luta por um bem em comum: garantir a posse de um vice-presidente da República. Quinze anos sem alguém com coragem para lutar contra a Mídia, sem políticos com culhão, sem homens que não tenham medo de lutar contra os poderosos em busca de um País melhor…

E nestes 15 anos, vi crescer a popularidade de homem de extrema direita, de loucos travestidos de políticos e com o intuito apenas de fortalecer grupos de nazistas, fascistas e de apoiadores do golpe militar. Vi caçadores de Marajás em meio a lama da corrupção, procuradores que se vendem para criminosos para reduzir penas, juízes de Vara da Infância e Juventude envolvidos em redes de pedofilia e jantares de políticos em chácaras com menores de idade.

Vi crescer a popularidade de pessoas envolvidas em escândalos, políticos que não são cassados por terem redes de corrupção no Tribunal de Contas, no Ministério Público e no Judiciário. Vi malditos tentando acabar com o poder da Polícia Federal (PF) para evitar que os seus próprios crimes fossem descobertos. Cavalarias e gás de pimenta serem jogados para cima de professores e pessoas de bem para encobrir ações impopulares, tentando inverter o ônus da prova e fazendo das vítimas cúmplices de um suspeito crime jamais praticado – como vandalismo. Transformam as vítimas em réus e dos culpados, santos que lutam pelo povo.

Vi a população cansada da corrupção dos políticos vender seu próprio voto e fazer dela mesma um canal sujo de propulsão dos maus políticos. Vi uma mídia corrompida e que fala bem de quem paga e destroça os que estão com agrados atrasados. Vi políticos pagando mensalões e mensalinhos para calar a boca de aliados e para agradar os que são oposição.

E senti saudades, saudades de Brizola. Saudades do PDT Velho de Guerra, que tem coragem, que luta e que faz da política o que ela deveria ser na origem – do grego “politeía”, que indica todos os procedimentos relativos às cidades (sociedade, comunidade, coletividade, vida urbana).

Tanto a pensar nestes 97 anos de Leonel Brizola, que nasceu no dia 22 de janeiro de 1922 e fez história. Sempre resisti ao fato de sermos mortais. Brizola é uma prova de que a imortalidade existe e pode ser manifesta em feitos, em lembranças, em sonhos que não morrem. Sinto-me feliz de ter estado ao lado dele, de ter feito entrevistas e de ter me filiado a apenas um partido em toda minha história política: o PDT de Leonel Brizola. A ele, minhas eternas saudades!…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *