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Roberto Requião: “Não existe oposição no Paraná”

No terceiro mandato e com projetos ainda não realizados, o governador Roberto Requião (PMDB) promete trabalhar intensamente em 2008. Já está apertando os cercos e mandou avisar que secretário de Estado e funcionários com cargos comissionados não podem tirar férias nos meses de janeiro e fevereiro. Caso contrário, serão demitidos. A firmeza de Requião com seu secretariado foi observada em todos os instantes, como um episódio presenciado no elevador governamental – enquanto o governador se dirigia para a entrega de viaturas no pátio do Palácio das Araucárias com seus subordinados. Requião queria ir ao banheiro, mas os secretários se precipitaram e apertaram o botão que levaria todos para o térreo. ”Secretário tem que adivinhar o que o governador quer fazer”, disse enfático. ”Eu queria ir mijar (sic), vou ter que fazer aqui nos seus pés”, avisou a um dos secretários que estavam ao seu lado.

Brincadeira, claro. Daquelas que Requião faz com todos à sua volta. Convidada para acompanhar o governador em todos os seus passos na terça-feira (que iniciou com a reunião semanal do secretariado), a reportagem assistiu a entrega das viaturas, viu os despachos governamentais, ouviu as histórias de gabinete e analisou o temperamento de Requião – por vezes enérgico, por vezes gentil. Gentileza vista na entrega de flores na saída do gabinete. As flores não eram reais, estavam numa bela fotografia – feita por ele mesmo, na Ilha das Cobras. Requião falou sobre os problemas pessoais, desabafou, disse estar cansado da vida política, mas garantiu que ainda fará um ”belo trabalho”.

Entre as prioridades elencadas por Requião para os últimos dois anos de governo estão ações nas áreas de saúde e educação. ”Vamos entregar o Paraná com os melhores índices de nossa história”, avisou o governador do Paraná. Durante as horas em que atendeu a reportagem, não falou da imprensa ”canalha”, foi respeitador. Não fez retaliações. Não mudou o humor. Sem sorrisos e sempre enfático, Requião – que está com 66 anos – falou sobre política, saúde, educação e sobre a oposição na Assembléia Legislativa. Oposição, que segundo ele, não existe. E provou. Foi presenteado por um ex-líder das oposições no seu gabinete, enquanto ainda estava lá, tentando iniciar uma conversa informal – que se transformou em entrevista.

A idéia não era fazer a entrevista. Era conversar com Requião. Mas ao perceber que a visita poderia se transformar numa reportagem, a blogueira pediu licença para escrever, anotar tudo o que era dito, e teve o aval governamental…

O senhor pretende dar férias coletivas para sua equipe, governador? Como começará 2008 para a equipe de Requião?
Não, não terá período de férias coletivas – a não ser entre os dias 22 de dezembro e 2 de janeiro. Até porque é um período complicado. Mesmo que a gente peça para que os servidores venham trabalhar, ninguém aparece. Mas a partir do dia 2, quero colocar o pé no acelerador. (A entrevista foi feita antes do governador revogar o decreto que concedia o recesso de 10 dias para o funcionalismo).

Como assim?
Vou fazer a máquina andar. Não vou deixar nada parar aqui neste governo porque é começo de ano. Não tem férias para secretário algum. Isso está decidido. Quem quiser férias, já saberá que será demitido. Quero colocar novos hospitais para funcionar, inaugurar escolas. A burocracia já nos faz parar no fim do ano. Não quero perder tempo. Não tem como dar férias ou descanso para saúde e educação.

Governador, o senhor está falando em saúde. Recentemente, um estudo do Ministério Público mostrou que faltam vagas de UTIs no Paraná e que tem gente morrendo por conta disso…
Eu acabo de assinar aqui (a assinatura fez parte dos despachos do dia) a autorização para a entrega de 200 novas UTIs no Paraná, num valor de R$ 13,4 milhões. Quarenta delas são neonatais. UTI é barato. Não custa eu dar quantas me pedirem. Mas o problema não é UTI. Isso não tem utilidade alguma.
E qual é o problema?
As pessoas morrem. Eu e você vamos morrer…

Mas os estudos do MP mostram que as mortes ocorrem cada vez mais. E as pessoas ficam a espera numa fila antes de serem atendidas.
Não existe fila. O problema é que falta pessoal para o trabalho. UTI não tem serventia alguma. É lenda. Tem UTI sobrando no Paraná.

Além de falta de UTIs, outra reclamação constante na saúde é a falta de medicamentos.
Não faltam medicamentos. Alguns remédios nós não compramos pelo custo. Eles podem ser trocados por outros mais baratos. Um medicamento não pode custar R$ 800 mil. São cartéis que se formam para enriquecer alguns às custas do povo, que toma um medicamento que nem faz efeito. É a passagem de primeira classe para o inferno. Se é para salvar vidas, tudo bem. Gasto sem nem olhar o valor. Mas sabemos que não é isso. Os laboratórios estão por trás de aventureiros e surfistas da mídia.

E a criminalidade, governador. Curitiba e Foz do Iguaçu ainda despontam nos números de homicídios no Paraná.
Onde ocorre intervenção governamental, o problema acaba. Você sabe como está a criminalidade na Vila Zumbi (em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba) depois que eu mandei realizar uma operação policial lá, colocando depois trabalho comunitário com as famílias? Foi para zero. As pessoas precisam de carinho e respeito. Não de mais polícia na rua.

O senhor tem sofrido críticas por conta da Operação Litoral, onde prometeu que iria fechar o esgoto de quem não tiver ligação correta. Como o senhor vê as críticas?
Eu estou investindo pesado no Litoral. Determinei limpeza em Pontal do Paraná e em Paranaguá. Não posso deixar jogar merda na água. Vou lacrar tudo na temporada. Os comerciantes deveriam se organizar e cobrar uma solução para o problema de poluição. Os turistas fazem cocô na água e os filhos vão tomar banho no mar depois.

A oposição critica, governador. Como também critica as televisões laranjas que foram adquiridas pelo governo do Estado, com valores que teriam sido acima do mercado.
Você acha que tem oposição no Paraná? Os deputados de oposição são meus amigos pessoais. Quando quero algo eu peço para eles e eles fazem. Temos uma relação de amizade. Exceto esse Rossoni que precisa levar uns petelecos.

Como o senhor analisou a derrubada da CPMF no Senado?
A CPMF é um imposto que prejudicava somente o sonegador. Quem não quis a CPMF não foi a mobilização popular, dos comerciantes. Foram os poderosos, os sonegadores, os bancos. A CPMF era um imposto generoso e representava apenas 0,38% da operação. Eu sempre fui a favor de manter a CPMF e reduzir a carga tributária – que é muito alta no Brasil. Não dá para conviver com níveis de 37% de carga tributária. O ideal seria 20%.

E a Copa do Mundo, governador? Haverá um empenho do Paraná para trazer jogos importantes para a Arena?
Claro que sim. O Paraná está mobilizado. Eu já falei por telefone duas ou três vezes com o Ricardo Teixeira (presidente da CBF). Nomeei o Orlando Pessuti e o Alexandre Khury para tratarem deste assunto. Politicamente, o governo vai apoiar a vinda da Copa do Mundo.

E a briga com o Ministério Público, governador?
Eu sempre apoiei o Ministério Público. Mas os procuradores precisam parar de criminalizar o Poder. Você se elege e vira criminoso. Isso não é verdadeiro. Tem administrador que erra, mas não são todos. Não dá para entender também como o MP quis calar a TV Educativa e o governador do Estado. São marajás, que recebem valores absurdos…

Governador, mas o seu salário é o mais alto dos governadores do Brasil.
Não é assim. A primeira vez que fui governador tive o salário mais baixo do Brasil, era US$ 1,5 mil. Não tem como sustentar a casa e manter as reuniões no Canguiri, por exemplo. Além do que, eu não tenho aposentadoria. Meu salário que vocês acham que é alto é igual a do procurador, do desembargador. Só que eles vão ter aposentadoria. Eu não.

O senhor teria direito a aposentadoria.
Teria por causa do primeiro mandato. Mas eu não quis a aposentadoria. Nem eu, nem o Alvaro (Dias, PSDB). Ajudei a derrubar a aposentadoria para governadores porque não entendia que ela era necessária. Além do mais, não aceito presentes de qualquer espécie. Não tenho um governo corrupto. Aqui, se eu receber um presente de valor absurdo ou maior do que duas garrafas de vinho, mando devolver.

Luciana Pombo

Jornalista, teóloga, professora, amante do futebol, da poesia, da política, das coisas da vida! Com diversas premiações e moções parlamentares. Entre as principais premiações: Escritores da Liberdade, Top Master Estadual em Jornalismo, Fera Honorária (pela luta em prol da repressão ao uso de drogas e prevenção), Amiga da Criança, Dia do Radialista expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Dia da Mulher expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Diploma de Mérito Social.

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