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Prisão de Beto Richa coloca em xeque candidaturas de Ratinho Júnior, Cida Borghetti e Flavio Arns

O ex-governador Beto Richa (PSDB), candidato ao Senado, foi preso na manhã desta terça-feira (11) em Curitiba. O tucano é investigado em duas operações: uma do Ministério Público (MP) do Paraná, na qual foi preso, e em outra da Polícia Federal (PF), etapa da Operação Lava Jato. A notícia da prisão caiu como uma bomba, no meio político do Estado e preocupou os coordenadores das campanhas dos candidatos ao governo do Estado, Ratinho Junior e Cida Borghetti, os quais são aliados há anos.

 

 

 

 

 

 

Cida era vice-governadora de Beto e assumiu o cargo das mãos deles. É na coligação dela que Beto figura como candidato ao Senado. Ratinho Junior fez campanha durante toda a gestão de Beto Richa como secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano, liberando recursos para prefeitos do interior – hoje aliados. Flavio Arns, candidato ao Senado, foi vice-governador de Beto Richa na primeira gestão e secretário de Estado de Educação.

Relembrando – Ratinho Júnior (PSD) ocupou o cargo de secretário de Desenvolvimento Urbano do Paraná nas duas gestões de Beto Richa. Já para a atual governadora do Paraná Cida Borghetti (PP), vice de Beto, que vem de um mandato cheio de escândalos de corrupção e sofreu um pesado desgaste por medidas impopulares, na forma de aumento de impostos e arrocho aos servidores, a prisão do seu antecessor manchará ainda mais a sua candidatura.

A lista de inquéritos, ações penais e investigações que pesam contra o ex-governador é extensa, confira:

*Desvios em obras de escolas investigados na Quadro Negros

Chegou à Polícia Civil, em 2015, a denúncia de que obras de escolas eram pagas antes da efetiva construção. A Secretaria de Estado de Educação (Seed) declarou que, ao perceber irregularidades, abriu a investigação que culminou com a Operação Quadro Negro. Além de alcançar a cúpula administrativa da secretaria, o caso também atingiu a construtora Valor, escolhida para fazer as obras, e deputados estaduais, que intermediariam a aceleração dos pagamentos. Nesta época, Flavio Arns não era mais Secretário de Educação. De 2015 a 2017, ele ocupou a cadeira de Secretário de Assuntos Estratégicos do Estado.

Um delator, o dono da Valor, Eduardo Lopes de Souza, teve sua colaboração homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pois citou o deputado federal Valdir Rossoni (PSDB) como um dos beneficiários do esquema, portanto, com prerrogativa de foro na Corte. Richa foi citado tanto nesta delação quanto em outra que era negociada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Trata-se dos depoimentos de Maurício Fanini, ex-diretor da Seed e amigo pessoal do ex-governador. Esta colaboração está sob risco após vazamentos ocorridos no ano passado.

*Operação Publicano e a corrupção na Receita

Um esquema teria sido montado, usando auditores da Receita Estadual, para abastecer o caixa 2 da campanha de reeleição de Beto Richa, em 2014. A investigação começou em Londrina e apontava uma rede de sonegação tributária em troca de doações eleitorais. O acordo de delação premiada com o auditor Luiz Antônio de Souza foi fechado na primeira instância e a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em março, pelo trancamento do caso, acatando o argumento da defesa de que o inquérito deveria ter sido remetido a instâncias superiores assim que surgiram indícios de envolvimento de pessoas com direito a foro privilegiado. Apesar da decisão dos ministros, uma nova investigação pode ser aberta em primeira instância, em Londrina, a partir da perda de foro privilegiado de Beto Richa.

*Citação na megadelação da Odebrecht

Doações feitas pelo Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht para as campanhas eleitorais de 2008, 2010 e 2014, de Beto Richa, constam na investigação que apura a motivação do repasse do dinheiro. Além dos documentos encontrados pela investigação, os repasses foram mencionados por pelo menos dois delatores, ex-executivos da Odebrecht. Além de estreitar laços com um político em ascensão, nos dois primeiros períodos, os empreiteiros buscavam, nas palavras deles, garantir contratos mais rentáveis para a empresa no Paraná. Na época, a Odebrecht estava em negociação para fechar um acordo bilionário no estado: a Parceria Público-Privada (PPP) para duplicar a PR-323, no Noroeste, e administrar a rodovia, cobrando pedágio. Muito por causa da Lava Jato, o negócio não foi adiante. O inquérito estava no STJ e foi devolvido, no dia 26 de abril, para a primeira instância, na vara do juiz federal Sergio Moro, com a perda do foro por Beto Richa. Contudo, a Justiça acatou o pedido da defesa e encaminhou o processo para o Tribunal Regional Eleitoral, tirando o caso das mãos do juiz da Lava Jato – que, em despacho, defendeu que havia indícios suficientes para que o processo seguisse na Vara Criminal.

*Decreto da APA do Iraí

Fruto da denúncia feita pelo corretor de imóveis Paulo Victor Junqueira da Cunha, uma sindicância foi aberta no Superior Tribunal de Justiça (STJ) – instância que analisa processos contra governadores – para analisar um decreto assinado por Beto Richa. Um terreno foi comprado em 2010 pelos donos da Transportadora Gralha Azul (TGA) por valores baixos, devido à restrição de uso, por estar na Área de Proteção Ambiental (APA) do Iraí, em Quatro Barras. A empresa pertence ao então prefeito da cidade, Loreno Tolardo, e ao irmão dele, Luís Tolardo. Em julho de 2014, o decreto estadual 11.660 alterou uma parte do zoneamento, autorizando algumas atividades comerciais antes proibidas. A área, às margens do Contorno Leste, passou a ser usada como um pátio de automóveis.

O denunciante disse que Beto teria recebido R$ 5 milhões pelo “favor”, mas ainda não há indícios do pagamento. O que consta comprovado no processo é uma doação de R$ 800 mil, em três parcelas, feita pela TGA e empresas-irmãs à campanha eleitoral tucana de 2014, mesmo ano do decreto. A sindicância estava com o ministro Jorge Mussi, do STJ, que enviou o caso, com a perda do foro privilegiado por Beto Richa, para que a promotoria de Campina Grande do Sul retome a investigação.

*Licença ambiental que favoreceria a família Richa

Uma licença ambiental concedida para um pátio de caminhões e um decreto que alterou as permissões de atividades empresariais numa área de Paranaguá estão no centro da Operação Superagui, que investiga outras supostas irregularidades na região portuária nos anos de 2013 a 2015. Os indícios de que as decisões governamentais teriam favorecido parentes de Beto Richa, associados a empresas, levaram o STJ a autorizar a abertura de inquérito. Com a perda de foro privilegiado, o caso foi remetido para a primeira instância.

*Dinheiro federal para a saúde mal aplicado em Curitiba

Quando ainda era prefeito de Curitiba, Beto Richa teria empregado recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) em desacordo com os planos originais, que eram as reformas de três unidades municipais de Saúde. O caso virou uma denúncia, pelo Ministério Público Federal (MPF), em 2009, mas acabou arquivado após a Assembleia Legislativa negar autorização para que o STJ abrisse ação penal contra o então governador. O caso teve reviravolta e foi ressuscitado após uma decisão do STF, que tirou poder da Assembleia Legislativa. Com a perda de prerrogativa de foro, a ação retornou em abril para a primeira instância. Agora, a Justiça acatou a denúncia, Beto Richa virou réu e o processo começará a tramitar.

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About Luciana Pombo

Jornalista, teóloga, professora, amante do futebol, da poesia, da política, das coisas da vida! Com diversas premiações e moções parlamentares. Entre as principais premiações: Escritores da Liberdade, Top Master Estadual em Jornalismo, Fera Honorária (pela luta em prol da repressão ao uso de drogas e prevenção), Amiga da Criança, Dia do Radialista expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Dia da Mulher expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Diploma de Mérito Social.
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1 thought on “Prisão de Beto Richa coloca em xeque candidaturas de Ratinho Júnior, Cida Borghetti e Flavio Arns

  1. O Beto Richa tem que pagar pela truculência, irresponsabilidade, assalto a aposentadoria já paga pelos professores, e novamente continua descontando dos aposentados como se não tivessem já pago pelos anos trabalhados e por tudo que ele fez de mal para educação e outras instâncias do Paraná! A justiça tarda, mas não falha, nada fica encoberto para sempre neste mundo de meu Deus! Que cumpra-se a lei, para esses corruptos, assassinos de milhares de pessoas doentes e fragilizadas, pela incompetência de administrar mal nosso Paraná!

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