O Louco dos Loucos II

Esse poema escrevi também aos meus 21 anos. Politizada, acreditava em mudanças… que nunca ocorrer…

Com vocês, um pouco mais de Luciana Pombo…

(11/03/1992)

Para muitos
Os loucos são poucos
São aqueles
que jazem
em hospícios…
Que ícios?
Se ício mais louco
É a casa do pouco
Do louco que é louco
Que pensa em ser sábio.

Para poucos
são loucos apenas
aqueles que somos e não somos
que pomos e repomos,
Os loucos
repousam
e pousam
na alma
na vida da gente.

Que gente?
Se nobre dos nobres
Julga toda esta gente
De fome, que pobre,
Que rouba e mata.
E os loucos?
São poucos…

O carro é luxo
e ônibus é lixo
pro lixo
do rico
que rico? que existe?
São poucos
os outros
que comem, que bebem,
que festam, que amam…

E o carnaval?
É fuga,
é festa da carne,
da boca dos muitos,
dos sábios, dos loucos,
dos outros, dos poucos,
de todos.

E o futebol ressurge,
E a copa que urge,
São loucos? São poucos
Os patriotas
Que frouxos, choram de prazer…

Mas se tem prazer?
Tem o sexo, o lixo,
a escola, a cantina,
mas esmola persiste,
insiste a pobreza,
E o Brasil é mais triste…

Notícias internacionais,
Globo dos loucos,
Dos poucos,
Dos muitos,
dos anúncios,
Jornal Nacional!

Perguntas
que invadem
e jazem nos túmulos
capitalistas
da decepção!

E os sábios que nascem,
Acarretam a loucura
dos loucos
que crescem…

E os outros? Os outros
são médios,
e não muito médios
com Collor a ferver
a intuição
da população.

E os loucos? Os poucos
são loucos,
São sábios da Revolução.

Revolução? Do quê?
Dos outros? Dos médios,
Que loucos!
São poucos,
os outros…

E a beleza da Pátria,
que Pátria?
Se o mundo,
do mundo,
se causa,
se deixa,
se perde e
não se ama…

Mas quero mais é ser louca
E amar o pouco
dos poucos,
dos outros,
dos sábios,
dos loucos…

Ode e amores ao País natal de Natal,
Curitiba, perfeição!
São poucos
os loucos
que amam,
que velam,
que torcem,
que fazem…

São sábios os outros?
São muitos, são outros,
são fracos, são tortos…
Mas prefiro a alegria
de vencer a batalha
perdida.
Batalha? Que nada.
É muito este pouco,
que pouco? A paixão…

E a cultura? Pra poucos!
Que poucos? Os loucos,
Que loucos? Se o louco mais louco
é o louco que sou.
E não sou eu o mais
Louco das loucas
do louco do lado
do “eu”.

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