Mulher diz que era candidata laranja na eleição de 2018

O PSL teria feito muitas candidatas laranja – ou seja, mulheres que estariam para fazer a cota masculina, mas que nem precisavam fazer campanha. Elas apenas estariam dando legalidade ao processo eleitoral. Em Minas Gerais, uma integrante do partido afirmou que foi colocada na legenda para disputa pelo atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Ela apenas teria que receber o dinheiro de campanha e devolver parte para o partido.

Zuleide Oliveira, de 41 anos, fez a denúncia dia 19 de setembro no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais. Portanto, antes do resultado das eleições presidenciais. Ela não sabe muito bem o que aconteceu. No entanto, nunca foi ouvida na Justiça Estadual. “Eu não entendia de nada, eles que fizeram tudo [para registrar a candidatura], eu não tirei uma certidão minha, eles tiraram por lá, eu só enviei meu documento e eles fizeram tudo. Acredito, sim, que fui mais uma candidata-laranja, porque assinei toda a documentação que era necessária e não tive conhecimento de nada que eu estava fazendo (…) Fui usada, a minha candidatura foi usada para fazer parte de uma lavagem de dinheiro do partido”, afirmou Zuleide, em entrevista à Folha de S. Paulo.

A reunião teria ocorrido, ele teria feito promessa de repasse de valores. No entanto, ela nunca teria recebido nada. Ela encaminhou para o Ministério Público (MP) e-mails trocados com dirigentes partidários e áudios trocados por ela e outros cinco dirigentes do PSL. Zuleide acabou tendo o pedido de registro de candidatura indeferido pela Justiça Eleitoral devido a uma condenação em 2016, transitada em julgado, por uma briga com outra mulher. Ela enviou a sentença ao PSL de Minas por email no final de agosto.

Publicada na Folha de S. Paulo

Até hoje, Zuleide não apresentou a prestação de contas à Justiça por se recusar a atender aos pedidos de dirigentes do PSL. A candidata afirmou nunca ter ido ao banco ver os extratos. Ela diz que recebeu 25 mil santinhos — em todos eles, Álvaro Antônio aparece dividindo o espaço.

Os dirigentes do PSL mineiro cujos nomes aparecem nos emails e nas mensagens de WhatsApp dela são, além de Rodrigo Brito, Aguinaldo Mascarenhas, então chefe de gabinete de Álvaro Antônio em Minas e hoje presidente do partido no estado, Michelle Paim, tesoureira, Gustavo Graça, também da direção do PSL em Minas, e Leonardo Andrade, advogado da sigla.

Outras mulheres também denunciaram o esquema em Minas Gerais.

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