notícias, polícia

Gravação revela tortura contra criança

O Ministério Público começa a investigar o envolvimento de Marcelo Borelli, 33 anos, em práticas de tortura contra uma criança de apenas três anos de idade, numa residência que fica no Jardim Urano, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. As investigações iniciaram após a prisão de Borelli e de três mulheres acusadas de participarem de contrabando de armas e assaltos.

Elas foram presas pela Polícia Federal e estão detidas em Curitiba. ‘‘Elas foram presas em flagrante por contrabando, depósito e guarda de armas’’, explicou o delegado Luiz Melzer, superintendente da Polícia Federal. Estão presas Maria Cristina Pereira Marques, Maria Ilda de Carvalho (que seria tia de Borelli, segundo informações prestadas pela polícia) e Zenice Pires (mãe da menina torturada).
Borelli foi preso no último dia 15, no posto de pedágio de São Luis do Purunã. Ele tinha cinco mandados de prisão. Ele é considerado o maior assaltante de carros-forte do País. A polícia também investiga sua participação no sequestro do avião da Vasp no Paraná, ocorrido em setembro.

Na casa delas, a polícia apreendeu fitas de vídeo. A primeira, mostrando que Borelli estava planejando um assalto no Aeroporto Internacional Afonso Pena. A segunda, e mais grave pelas imagens chocantes, mostra sessões de tortura de cerca de 14 horas de duração contra uma menina, identificada pela reportagem da Folha como M.L.

A fita teria sido gravada entre os dias 10 e 11 de setembro deste ano. Nas imagens da fita de vídeo aparecem cenas da garota sendo espancada brutalmente por Borelli e uma mulher mascarada. Ela é afogada com esguichos no rosto, pisoteada, sufocada com panos e obrigada a defecar. Em alguns momentos, Borelli joga desodorante nos olhos da garota e dá choques elétricos. ‘‘Ela não desmaia’’, diz uma mulher que está assistindo as torturas. Em vários trechos, podem ser ouvidos risos femininos.

A criança pede ajuda para a mãe e para Ilda, mas ninguém tenta socorrê-la. ‘‘Pare pelo amor de Deus’’, diz a menina, ‘‘eu não quero morrer’’. Em outro trecho, ela é obrigada a dizer uma frase chocante para Maria Ilda. ‘‘Perdão, tia Ilda, de tudo o que eu fiz. Eu vou ser uma menina bonita. Não vou mais fazer reina. Não vou mais vomitar. Não vou recusar comida. Eu como m… Não jogo comida fora. Por favor, titia. Não quero morrer. Pelo amor de Deus.’’

A menina foi encaminhada para exames de lesões corporais no Instituto Médico Legal (IML) e deixada sob a guarda do Juizado da Infância e da Juventude. A fita foi entregue para a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) do Ministério Público. O promotor da PIC, João Milton Sales, disse que vai ser pedida uma perícia na fita para comprovar a autenticidade das gravações.

Tagged , , , , , , , ,

About Luciana Pombo

Jornalista, teóloga, professora, amante do futebol, da poesia, da política, das coisas da vida! Com diversas premiações e moções parlamentares. Entre as principais premiações: Escritores da Liberdade, Top Master Estadual em Jornalismo, Fera Honorária (pela luta em prol da repressão ao uso de drogas e prevenção), Amiga da Criança, Dia do Radialista expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Dia da Mulher expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Diploma de Mérito Social.
View all posts by Luciana Pombo →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *