Embaixadores revelam bastidores do golpe para derrubar Dilma

Os articuladores do golpe realizado contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) começa a ser revelado para a população – que sempre acreditou numa suposta corrupção jamais comprovada. A cassação foi por pedalada fiscal – praticada por prefeitos, governadores e por Temer e Bolsonaro. Mas que até hoje só garantiu o impeachment de Dilma. O que está por trás? Sede de poder, o corte da propina para as prostitutas da imprensa brasileira e do mensalão para o Congresso Nacional. Além da facilidade de ganhar corpo com os setores machistas da sociedade brasileira.

“Cumpri instruções”. Assim começa uma série de correspondências escritas por diplomatas brasileiros no Exterior e que ganharam as páginas da Revista Época. Da representação do Brasil em Washington ao embaixador na minúscula e paradisíaca ilha de Santa Lúcia, no Caribe, oficiais brasileiros obedeceram à ordem clara e rigorosa do Ministério das Relações Exteriores do recém-iniciado governo de Michel Temer (MDB): rechaçar qualquer questionamento ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma.

A ordem partiu do também recém-empossado ministro José Serra (PSDB), no dia 24 de maio — apenas 12 dias após o afastamento inicial de Dilma pela Câmara dos Deputados. José Serra foi candidato derrotado à presidência da República e acreditava naquele momento numa sucessão tucana. O que frustrado completamente nas urnas. As informações estão presentes em mais de cem comunicados transmitidos pelas embaixadas do Brasil entre maio e setembro de 2016.

Segundo os documentos, era crucial aos embaixadores brasileiros rebater qualquer afirmação sobre erros de conduta durante o julgamento, que citasse “jogos de interesse” ou apontasse de manobra política no processo. Termos como “golpe de Estado” e “manipulação política” também constaram nos exemplos de “posturas equivocadas”. Era quase o começo da ditadura depois fortalecida com a posse de Jair Bolsonaro (PSL). Michel Temer foi preso e hoje responde dezenas de processos em liberdade.

O embaixador brasileiro em Cuba, Cesário Melantonio Neto, foi rápido em cumprir as determinações do chanceler tucano. Em nota enviada ao Itamaraty em maio de 2016, o diplomata afirmou ter conversado “com diversas autoridades locais para corrigir percepções errôneas sobre o processo de impeachment e evitar manifestações no tratamento de temas da realidade brasileira”, disse. No texto, Neto afirma que o afastamento de Dilma “observa estritamente os ditames e ritos previstos na legislação brasileira” e diz ter se encontrado com representantes do governo cubano para os quais argumentou que as violações à lei orçamentária configurariam crime de responsabilidade.

Por sua vez, Mário Vilalva, embaixador brasileiro em Portugal, aproveitou-se do seminário “Investimentos Estrangeiros no Brasil”, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria LusoBrasileira (CCILB), para defender o impeachment. Em nota enviada ao Itamaraty em junho de 2016, o diplomata conta que “nos termos das instruções transmitidas por Vossa Excelência” prestou “detalhados esclarecimentos sobre a tramitação do processo de impeachment no Brasil, ressaltando que este observa rigorosamente os ditames da Constituição brasileira”.

A maior vergonha e prova de golpe de Estado da turma “por Deus e pela família”, liderada por Bolsonaro, e de Michel Temer, está em textos encaminhados para as embaixadas ainda quando Dilma era presidente falando sobre a destituição de um presidente e as bases legais em casos de crime de responsabilidade. O golpe foi planejado e costurado pela direita brasileira com o aval dos poderosos que tinham como meta desmoralizar o PT e os governos Dilma e Lula. O mais estranho é que Lula não se manifestou para proteger Dilma. A manifestação do então líder das esquerdas poderia ter evitado a manipulação das massas pela imprensa. Era a direita preparando o sucessor de Temer, com o aval de Temer (apontado como o chefe de quadrilhas que se estabeleceram por anos no Poder).

E o resto? É poeira!

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