notícias, polícia

Diretor do IML é acusado de assédio

Os exames de conjunção carnal e ato libidinoso realizados no Instituto Médico Legal (IML) em Curitiba estão sendo questionados por médicos legistas. Em depoimento ao Ministério Público e à Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa, duas adolescentes disseram que sofreram violência sexual por parte do diretor do IML, Francisco Moraes e Silva, durante o questionário, coleta de esperma e exames periciais. No dossiê, os nomes de outras meninas são mencionados e os exames anexados.

Entre os casos que chamam a atenção está o da adolescente V.P.A., de 14 anos. Ela foi atendida no dia 23 de julho de 1998 após ser estuprada por um desconhecido dentro da própria casa. A adolescente conta que uma enfermeira fez o primeiro exame e informou que ela seria atendida pelo diretor porque não havia no local uma ginecologista.

‘‘Ele me fez perguntas horríveis e introduziu o dedo por várias vezes no meu ânus e na minha vagina’’, contou a menina. De acordo com ela, cada exame durou cerca de cinco minutos. O questionário e o toque retal e vaginal duraram quase uma hora e meia. ‘‘Lembro que eu chorei e a enfermeira mandou eu ficar calma’’, disse ela. A adolescente salientou que quando terminou o exame, ela foi levada para a sala do diretor que a encaminhou para o banheiro e pediu para que erguesse a camiseta. ‘‘Ele disse que queria ver se o estuprador tinha me tocado os seios. Eu disse que não e não deixei’’, afirmou. Ela disse que o diretor mandou que ela voltasse no dia seguinte para a coleta de esperma. No entanto, o laudo 4353 do IML indica que a coleta do material foi feita no mesmo dia.

A funcionária Vera Lucia Saraiva do Pilar, de 40 anos, que trabalhava no Setor de Protocolos do IML, disse que era orientada a levar para exames ginecológicos na sala de Moraes e Silva apenas as meninas bonitas. Ela contou que assistiu por duas vezes os exames que eram realizados por ele e ficou escandalizada. ‘‘Eu achei tudo um absurdo. Mas existia a ordem expressa de que todas as moças bonitas fossem levadas para ele. Nunca denunciei antes porque sabia que isto não iria dar em nada’’, declarou. Vera Lucia afirmou que assistiu diversos exames com outros médicos e garantiu que Moraes e Silva era o único que fazia o toque retal e vaginal. ‘‘Todo o exame dos demais médicos durava entre 15 e 20 minutos no máximo. Ele demorava uma hora e meia’’, afirmou.

O diretor do IML, Francisco Moraes e Silva compareceu ontem ao programa Ponto de Encontro, da CNT, acompanhado de um advogado. A presença dos dois foi garantida por um ato judicial que deu ao médico legista o direito de resposta a matérias e entrevistas apresentadas no programa.

Logo depois da exposição de defesa de Silva, o apresentador Ogier Buchi chamou testemunhas que prestaram declarações ao vivo contra os procedimentos do diretor do IML.

O Estado e o próprio IML já haviam recebido acusações formais de procedimentos errados, suspeita de falsificações de laudos e exames cadavéricos desde outubro do ano passado. O ministério Público está investigando todas as acusações. Na volta dos trabalhos, no dia 15, os deputados estaduais devem examinar as acusações na Comissão de Segurança.

Tagged , ,

About Luciana Pombo

Jornalista, teóloga, professora, amante do futebol, da poesia, da política, das coisas da vida! Com diversas premiações e moções parlamentares. Entre as principais premiações: Escritores da Liberdade, Top Master Estadual em Jornalismo, Fera Honorária (pela luta em prol da repressão ao uso de drogas e prevenção), Amiga da Criança, Dia do Radialista expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Dia da Mulher expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Diploma de Mérito Social.
View all posts by Luciana Pombo →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *