notícias

Desemprego gera prostituição masculina

Desemprego, perspectiva de uma forma mais fácil de ganhar dinheiro, falta de instrução e abandono dos pais. Estes são os motivos principais que têm levado rapazes com idades entre 9 e 25 anos a entrarem na prostituição masculina. Uma pesquisa feita recentemente pelo Grupo Dignidade, que trabalha com homossexuais, demonstra que 61% dos 53 garotos de programa entrevistados resolveram entrar na prostituição porque não conseguiam arrajar um emprego.

As principais ruas escuras do Centro de Curitiba, como a Voluntários da Pátria e a Jesuíno Marcondes, se transformam diariamente numa passarela do sexo. Garotos de todas as idades ficam parados nas esquinas e em frente aos bares, a procura de um cliente que queira fazer um programa. Os meninos cobram de R$ 30,00 a R$ 150,00 por programa, que pode levar entre uma a duas horas.

Os clientes que procuram fazer programa com os chamados ‘‘michês’’ são os mais variados. De acordo com eles, 90% dos programas são feitos com homens. Destes, 80% são casados e dizem que não são felizes sexualmente. Existem casais que também procuram os garotos de programa. ‘‘Eles acham que o sexo fica com um ar mais aventureiro se for dividido entre o casal’’, conta Jean, de 23 anos, apelidado pelos rapazes de ‘‘pai dos michês’’.

Em boas épocas, eles contam que conseguiam fazer entre sete a 14 programas por semana e tirar cerca de R$ 2 mil. No entanto, com o assassinato do advogado Luiz Renato Crovador por um michê, no mês passado, a procura pelos garotos de programa caiu significativamente. ‘‘Têm dias que não conseguimos fazer nenhum programa. Os nossos clientes estão com medo, ficaram mais cheios de cuidados’’, afirma Júnior, de 17 anos.

De acordo com a polícia, Luiz Renato Cardoso Crovador foi assassinado com dois tiros na cabeça a pedido de sua mulher, Vera Crovador, de 41 anos e com a participação de Milis Rogério dos Santos, de 32 anos, garoto de programa que mantinha encontros com ela há um ano e dois meses. ‘‘Estas histórias acabam minando nosso trabalho’’, diz Claudinei. Desde que as notícias do assassinato se espalharam, o movimento caiu e ele acredita que não deverá ganhar mais que R$ 300,00 no mês.

Além dos garotos que buscam as ruas da cidade para fazer um programa, existem os chamados garotos de programa de luxo. Pelos jornais, eles anunciam satisfação total e garantem que ganham até R$ 5 mil. ‘‘Só me procuram pessoas bem resolvidas, bem definidas profissionalmente, donos de empresas, enfermeiras, donas de casa’’, argumenta Kadu, de 22 anos.

À procura de dinheiro, muitos acabam se envolvendo com as drogas. A maioria quer deixar o michê assim que conseguir um emprego. A pesquisa feita pelo grupo Dignidade demonstra que 55% dos garotos de programa consideram a prostituição uma profissão, mas 90% gostariam de parar com os programas. Pesquisa mostra que 90% dos garotos de programa gostariam de mudar de vida se tivessem melhores oportunidade.

Tagged , , , , ,

About Luciana Pombo

Jornalista, teóloga, professora, amante do futebol, da poesia, da política, das coisas da vida! Com diversas premiações e moções parlamentares. Entre as principais premiações: Escritores da Liberdade, Top Master Estadual em Jornalismo, Fera Honorária (pela luta em prol da repressão ao uso de drogas e prevenção), Amiga da Criança, Dia do Radialista expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Dia da Mulher expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Diploma de Mérito Social.
View all posts by Luciana Pombo →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *