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Delegados se dizem alvo de vingança

O ex-delegado-geral da Polícia Civil Newton Rocha, afastado do cargo de titular do Grupo Tigre por ordem do governador Jaime Lerner (PFL), disse ontem ter recebido com surpresa o fato de seu nome ter sido envolvido em depoimentos de testemunhas da CPI do Narcotráfico. Ele foi citado no depoimento do ex-policial Humberto Terêncio como facilitador do tráfico de drogas durante o período em que foi chefe da Delegacia Antitóxicos, entre 1993 e 1994. Conforme Newton Rocha, foi ele um dos conselheiros que assinou um pedido de processo disciplinar contra o ex-policial, por causa das denúncias de participação no esquema do tráfico, e se considera vítima de vingança tardia.

‘‘Acho que ele imaginou que eu deveria defendê-lo’’, declarou Rocha. O delegado disse que quando assumiu a Divisão de Segurança e Informações (DSI) foi procurado por Terêncio para conseguir uma vaga na divisão. ‘‘Eu não poderia encaixá-lo nos quadros da DSI. Ele estava sob suspeita e isto mancharia o nome da instituição’’. ‘‘Acho que ele fez isto agora por mágoa’’, emendou. O delegado afastado da Delegacia de Proteção e Defesa do Consumidor (Delcon), Kioshi Hattanda, também citado por Terêncio e pelo traficante Marcelo Mateus dos Santos (nome fictício), afirmou que nunca teve qualquer envolvimento com traficantes. Ele não foi chamado para depor na CPI. ‘‘Meu único envolvimento com o narcotráfico é com a prisão de traficantes’’, defendeu-se ele. Hattanda disse que resolveu se submeter, espontaneamente, a uma acareação com as testemunhas, porque tem certeza que não existem quaisquer provas que o incriminem.

Gerson Machado, delegado-adjunto do 3º Distrito, estava em férias quando soube de seu afastamento. ‘‘Eu nunca vi na minha frente a pessoa que me acusou. Acho esta posição (de afastamento) meio assim. Não existem elementos para respaldar isso’’, avaliou. O escrivão Paulo César Rodrigues nega também as acusações e diz que irá provar sua inocência. ‘‘Fico envergonhado em ver meu nome sendo jogado na lama’’, afirmou, ao lembrar que foi o responsável pela prisão de uma das maiores quadrilhas do Estado, composta por 22 pessoas.

Conforme Paulo César, em setembro de 1994, quatro carros foram apreendidos, além de 60 quilos de maconha e cocaína. ‘‘O policial Humberto Terêncio tinha ligação com a quadrilha. Talvez por isto queira me incriminar’’, retrucou. O escrivão afastado criticou a CPI do Narcotráfico e disse que está disposto a pedir – ele mesmo – a quebra do seu sigilo telefônico e bancário. ‘‘Esta CPI é um carnaval. Cabe a mim agora o ônus da prova de que não tenho envolvimento com o tráfico. Os papéis foram invertidos’’, reagiu. O informante Marcelo, segundo ele, participou de uma operação ao seu lado em janeiro de 1996. ‘‘Ele me apontou uma mulher traficante e eu a prendi. Foi a única vez e nunca fiz acerto com traficante. Nunca negociei flagrante’’.

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About Luciana Pombo

Jornalista, teóloga, professora, amante do futebol, da poesia, da política, das coisas da vida! Com diversas premiações e moções parlamentares. Entre as principais premiações: Escritores da Liberdade, Top Master Estadual em Jornalismo, Fera Honorária (pela luta em prol da repressão ao uso de drogas e prevenção), Amiga da Criança, Dia do Radialista expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Dia da Mulher expedido pela Câmara Municipal de Curitiba, Diploma de Mérito Social.
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