Corrupção: funcionária devolvia dinheiro para Flavio Bolsonaro

Uma análise na movimentação financeira de Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, evidencia indícios de que pelo menos uma funcionária pode ter depositado o equivalente a quase tudo que recebeu na Casa no período sob investigação. Foi esse o caso de Nathalia Melo de Queiroz, filha do ex-servidor que, no período investigado, repassou a ele R$ 97.641,20.

A quantia equivale a 99% do pagamento líquido a Nathalia em janeiro de 2016, segundo a folha salarial do Legislativo. O órgão federal mostrou que no período investigado Nathalia transferiu os R$ 97.641,20 para a conta do assessor de Flávio. A cifra foi dividida pelos treze meses investigados para obter a média mensal. Nathalia trabalhou na Alerj de setembro de 2007 a dezembro de 2016. Depois foi trabalhar como assessora no gabinete parlamentar do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), na Câmara dos Deputados. Foi exonerada em 15 de outubro, mesmo dia em que seu pai foi desligado do gabinete de Flávio.

Oficialmente, o motivo foi a aposentadoria de Fabrício José Carlos de Queiroz como policial militar. Pior de tudo é que Nathalia nem trabalhava de fato. Reportagem publicada pela Folha de S. Paulo mostrou que ela era fantasma e trabalhava realmente como personal trainer no Rio. Outra servidora que repassou a Queiroz grande parte do que recebeu foi Márcia Oliveira de Aguiar, mulher do ex-assessor. Os valores somam R$ 52.124,00 – uma média (total dividido por treze meses) de R$ 4.009,23. Isso não quer dizer que tenham sido feitos rigorosamente repasses mensais – o documento do Coaf não traz esse detalhe -, mas permite afirmar que Márcia transferiu porcentuais que equivalem de 31% a 46% do que recebeu por mês no período.

Luiza Souza Paes fez transferências equivalentes a porcentuais que variam de 24,8% a 33,5% do salário no período. Sua renda, segundo o Coaf, era de R$ 3.479 mensais e a transferência média era de R$ 863,53. Já Jorge Luís de Souza, que tinha salário bruto de R$ 5.486,76, fez depósito mensal médio de R$ 1.573,46 – porcentuais respectivos de 7,69%, 28,67% e 32,46%. O jornal O Estado de S. Paulo mostrou que 57% dos depósitos feitos na conta de Fabrício Queiroz investigada pelo Coaf ocorreram no dia do pagamento dos salários na Alerj no período, ou até três dias úteis depois.

Nota da Blogueira: O conteúdo final das investigações me parecem bem familiar. O assessor que recebeu recursos é preso. Os demais investigados. No entanto, nada acontecem com eles. Bem como no caso do Bibinho, na Assembleia.

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