Bolsonaro propõe armas contra ele mesmo?

A princípio pode parecer mais um delírio governamental. Mas o que está por trás da afirmação do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que quer armar a sociedade para evitar abuso dos governantes vai além da nossa vã imaginação. Assim como líderes nazistas, a afirmação é perigosa. Com uma população usada como massa de manobra, seria fácil para o presidente apoiar o fechamento à força do Congresso Nacional por exemplo. Ter um exército de “idiotas úteis” (como ele propaga quando fala dos chamados por ele de esquerdeopatas, simplesmente por divergir das afirmações feitas por ele mesmo) é muito pior do que ter um Exército compenetrado…

A afirmação do presidente foi feita no discurso de uma cerimônia militar em Santa Maria (RS). Bolsonaro também declarou que “mais do que o parlamento”, precisa ter o povo a seu lado para governar o Brasil.  “Defendo o armamento individual para nosso povo para que tentações não passem na cabeça de governantes para assumir o poder de prova absoluta”, disse Bolsonaro, durante cerimônia em memória ao marechal Emilio Mallet, patrono da Artilharia. O medo é claro. Bolsonaro não quer ser vítima do mesmo golpe que ele apoiou contra uma presidente eleita pelo povo…

Em meio às negociações no Congresso para a aprovação da reforma da Previdência, o presidente disse que precisa mais do povo do que dos parlamentares.  “Precisamos, mais que do parlamento, do povo ao nosso lado para que possamos impor uma política que reflita em paz e alegria para todos nós”, declarou. Impor?

Durante o discurso, Bolsonaro lembrou que visitou Santa Maria em 1993 “apoiando um colega”, mas não mencionou o fato que, após essa viagem, a Câmara dos Vereadores da cidade outorgou a ele o título de “persona non grata” por ter defendido o fechamento do Congresso e a volta da ditadura militar. Rio Grande do Sul não é estado para brincar. É estado guerreiro e que, em 1961, segurou com o povo a mesma ditadura militar, liderados pelo então governador Leonel Brizola. O movimento, conhecido como Cadeia da Legalidade (por ter iniciado em cadeia de rádio), garantiu a posse de João Goulart como presidente da República.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *